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curvas, retas e esquinas

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Morena tupiniquim© Copyright

 



Você, lindo sonho que vem a mim em um vento ligeiro. Pousa em suave for­ma de brisa sobre minha pele que é seu porto e, você, meu anseio. Você, serena musa, com olhos de cristais brilhantes e carnudos lábios rubis e pequenos seios ofegantes. Seu rosto envergonhado se torna vermelho carmim e sua pele de seda exa­la perfumes; doce fragrância de amor, delicada flor, odor de alecrim. Você, menina suave, serena. Seus gestos se mostram delicados e amenos; juventude em flor, água fresca, néctar licor. Puros lábios de mel! Seus beijos gostosos são de doce sabor. Em seus secretos desejos, embriago-me e em você, todo me afago. Em suas curvas de pele morena e em teu rosto marrom refresco-me com seus beijos. Descansa-me em sua pele de delicados tons. Em suas asas de libélula, faz-me passageiro em seus delicados voos. Anjo moreno! Sua luz cintila em suaves e brilhantes neons! Meu corpo molhado, quente por você, é assim que estou. Em minha fase nua, paixão toda crua, revelo-me em segredos a você, toda bela e nua. Contemplo seu esplendor! Das estrelas já não mais preciso. Anseio apenas pela luz de sua presença. Nos quintais dos meus jardins, serás a flor de único nome: amor.”


 Esse poema é parte de " Moheki". Adalberto Betonicou

Arte : Yasmim Mesquita

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Caso prefiram, os que aqui moram, poderão comprar diretamente comigo. Entendo que tem pessoas que não gostam de mandar endereço. Os que não acham problema algum nisso poderão entrar em contato através do meu e-mail. Desde já agradeço imensamente pelo apoio. Segue os links:

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Indiquem aos amigos caso queiram ajudar. Obrigado!



 

sábado, 18 de junho de 2022

Sopro de beija-flor© Copyright

 


Se eu beijo, é beijo de passarinho, flor de lua que vem chegando. Quando vejo, já beijei, em aquarelas, lindas cores que pintei a flor, que o meu bico de néctar vai de cor e sabor, semeando. Para beijar a flor viro beija-flor. No frio anseio: não o verão, mas sim, as primaveras. Desejo os lábios doces das azaleias. A terra é céu de estrelas floradas. A lua, é rosa a desabrochar, em prateada flor no céu das madrugadas. Aqui tem jardins floridos. Tem centeio, joio, misturados num sortido campo de trigo.  Se sou forte ou fraco, nem ninho faço. Neste jardim, nem eu mesmo fico. Sou passarinho aterrizado, pois no chão sou menino, mesmo eu a brincar; mesmo sempre comigo.  Em um beijo magro ralo o corpo, a palpitar, ecos de destemperos.  Se te beijo, sou pássaro errante, a pousar nos lábios o beijo carregado de exageros. Sou apaixonado, itinerante de beijos soprados. Se te beijo, sopro em tua boca desejos cálidos, um sopro embevecido. Sou vento em brisa a beijar a boca da face extasiada. Sou chuva mansa a salpicar de gotas apaixonadas os lábios relutantes. De beijo em beijo, sou pássaro de voos itinerantes. Sou toque, a roubar do vento memorias, que esvoaçam em breves ventos moribundos. Sou beijo anélito, sou seta ferrenha, a calar em beijos, a soprar lábios, em eternos, divagantes e doces segundos.

Betonicou©

domingo, 5 de junho de 2022

Querer voante© Copyright

 

Eu quero pátria azul, da cor do céu.
Eu quero chuva pingando mel.
Eu quero amada essa pátria, minha terra,
sabor as vezes de fel.
Eu quero amor de véu de noiva,
casamento em terra estimada.
Não quero o que não sou, pois sou eu,
alma alada a voar imaginada.
Eu quero terra gentil, de coração
materno enraizado.
Quero pátria de rios e lagos
transbordantes.
Não quero as cheias de lágrimas
de um rosto derrotado.
Não desejo os desejos simples e meigos,
a irem a qualquer leito alagado.
Desejo os baluartes pátrios, dançantes,
alegres aos ventos.
Desejo os anjos cantantes, os corais
sacros em ressoantes tons de sacramentos.
Desejo a lágrima diluída em orvalho
serenado, amanhecido de uma manhã singela,
pois é lágrima de flor desabrochada,
rumo ao céu do Deus Enaltecido.
Eu quero passarinhos cantantes.
Sabiás, canarinhos, pássaros pretos,
num só ninho. Um só ser: concordantes,
não um viver envaidecido.
Eu creio no querer pátria gentil, pois é disso
que se trata a terra amada:
antes amável, que poderes arrogantes.
Desejo a bandeira hasteada, feita
flor delicada de riachos.
Lírios, orquídeas a abraçar em amor,
não leito impudico de amantes.
Desejo o céu nesta terra.
Desejo à terra:
as mãos do céu, a descerem abençoadas.
Desejo os rostos pintados, a original aquarela,
a guiar-nos em trilhas verdejantes.
Não desejo misérias gotejantes.
Desejo à esta terra:
vertentes, a jorrar
 vontades afortunadas.

 Betonicou© 
Ilustrações: Riccardo Guasco


 


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Laços de raízes © Copyright


O que é a amizade, senão dois galhos de árvores distintas que se entrelaçam ante as sortes lançadas ao vento, raízes que se tecem e sobem até as altas nuvens, fazendo chover sobre o chão árido, agarrando-se num abraço forte, diante das intempéries, dos contratempos. São forças que se completam. Companheirismo no céu, no mar e na terra, passarinhos a soprarem as velas, esforçados ventos. São caminhos que se encontram numa bifurcada trilha com pedras e frágeis cancelas. São mãos dadas, passos lado a lado, ombro de amparo, sentimento doado. São almas que compartilham o mesmo vento a lhes propulsar as vidas levadas pelo comum agrado. Amizade é oração que se eterniza, é solo onde se ergue, é vento que voa nas asas do sagrado.


Amigos, foram quase cinco meses de espera. Houve atraso por causa de alguns fatores, mas o livro irá ser apresentado nesta feira literária. Nesse meio tempo, confesso que fiquei muitíssimo ansioso, não foi nada fácil essa espera. Tive bastante trabalho, reli o copidesque algumas vezes com o revisor. Pensei que seria mais leve, mas publicar um livro tem um grande peso. Faltou tempo para escrever e ler. A inspiração também havia ido embora. Lidar com “Moheki “foi como cuidar de uma gestação muitíssimo delicada.

Com poema acima agradeço a todos vocês pelo apoio.

Obrigado a todos aqueles que se importaram e respeitaram meu tempo. " Somos laços de raízes!"


terça-feira, 5 de outubro de 2021

Pássaro anoitecido © Copyright

                                                                        

Ah, mãe noite, com olhos de estrelas e lua! Ah, sol! Pai exaltado, amanhecido, contemplado! De minhas janelas, namoro as fases de minha rua. Visões mais belas, quando, na minha terra, enamorado, eu estou a contemplar-lhes do chão. Faço reza esvoaçante, feito flor de leão. Assim, vou eu: lançado, à deriva ao vento, numa prece, desprendido em oração. Quando, no cerrado, a cavalo, a trafegar em galope, observando o dia, anoiteço sem perceber que, em espirito, eu já amanheço. A alma se entrega, em asas velozes, às singelezas de passarinhos. Sou pardal, canário e curió destas matas de plantas rasteiras, onde árvores mães acolhem-me na brandura de seus ninhos. No tempo que é noite, sou passarinho preto envaidecido, a cantar, num momento esquecido, num gorjeio longo, insone, de alegres rasantes emplumados. Em alto brado, num choro de alegria amanhecida, pouso em meio aos meus: singelos seres, pássaros encantados. Suavemente, as estrelas se retiraram, então, posso fazer meu canto dormir pela tarde mais tarde acontecida. Oro ao céu que me sombreia mais uma vez, numa noite enaltecida que ilumina generosa de estrelas e lua a ternura do voar que está por vir.  Ah, veredas! Oásis, onde pouso a minha sede! Há lugar melhor sobre esse chão?! Sou, também, o homem que descansa o seu corcel da poeira empobrecida ou, quem sabe, seja esse meu cavalo lunar, errante, pois das estrelas, talvez, tenha se tornado vagante. Serão suor ou orvalho as águas vertentes desse meu valente alazão?! O meu lado que dorme, na relva primaveril enverdecida, divaga solto, em alma leve, como pétala que voa embevecida. Tornando tudo mais visível desta terra o lindo céu do meu sertão.
Betonicou 
Arte:Tracie Grimwood -tadashi nakayama

Poema inspirado na obra " Grande sertão: veredas"  do grande , João  Guimarães rosa. 
Responderei se for preciso. 


domingo, 26 de setembro de 2021

Refúgio © Copyright

 

                                                                              


Ah, se tiro das nuvens tempestades. Se trovões são minhas expressões de gritos. Se as águas
são o meu derramar de verdades ou inverdades: diluo-me com prazer, entre as ruas e os guetos, os meus conflitos. Dançando, sou eu, a banhar minha pele nos vários encontros com os pingos. A chuva que molha é a mesma que lava, a mesma companheira, na dança que minha alma abraça e se eleva. A alegria vem de manhã. O sol, o lençol brilhante me estende. As notícias procuram saber onde estou. A chegada dos fatos, na minha noção, não me surpreende. O que acontece nas ruas e becos, o que se revela, entre o abrir e o aperto. O que não está: por entre as frestas se espia, onde a verdade, na realidade se esconde. Os pés que tateiam o chão, são os mesmos que o entende. Os rostos, molhados ou não, são máscaras do que subentende. Ao tentar descobrir a noção: a razão é a emoção que me esconde. Vidas derramadas nos divãs são enxurradas, ou levezas de águas no chão. A tarde? A tarde, é parte do tempo, para saber onde estou. Antes de cada manhã, a noite preparou-me um varal, sob o sol, a secar o que de tarde  molhou ou, o que de mim: pingos, que não se derramaram em vão. 
Betonicou
 
Arte: Riccardo
 Guasco

domingo, 12 de setembro de 2021

Natural Brasis © Copyright

 


Esfregue-se em mim, flor de orquídea.
Recatada, mas assanhada em minhas danças.
Tens o sorriso da mulher indígena, emoldurado
por teus cabelos de tranças.
Tal beleza me fascina, morena linda de
largas ancas.
 
Cheiro doce de canela marrom.
Teu corpo é todo um poema!
Podias ser chamada de Iracema,
mas guarda em si: o lindo nome de Jurema.
 
Sensual e alegre filha dos seres mágicos:
tupis-guaranis.
Criada nas matas, és linda, das mais
formosas ninfas tupiniquins.
Formosa mulher, suave e serena.
Doce Jurema, esfregue-se em mim!
 
Dispa-me com teus olhos e brilha-me
com tua luz estonteante.
Você, sinuosa canoa, enfeitada
de lírios e, eu, teu tripulante.
 
Em tuas curvas de canela morena e
em teu sorriso branco marfim,
nasce um beijo de teus lábios vermelhos,
macios, como pétalas de rosa carmim.
 
Ando em tuas trilhas e estremeço em
tuas linhas, em teus delirantes caminhos.
Teu corpo exala cheiros exuberantes.
És, formosa flor sem espinhos.
 
Teus cabelos pretos, feito cor anoitecida,
sem medidas, cobrem toda tua linda
nudez esculpida.
Cobrem-te e protegem-te.
Faço-me desbravador de tua
linda riqueza escondida
 
Percorro os teus caminhos de
matas nativas. Nas trilhas de belezas,
nunca por mim imaginadas.
Em teu paraíso de deusa morena,
escondo-me, na maravilha de terras,
esperando por mim, serem desbravadas.
 
Esfregue-se em mim!
Impregna-me com teu cheiro canela e
forte odor de amor.
Deusa marrom canela, cubra-me
com teu corpo de mulher e,
faça deste tempo,
infindável prazer de amor.
Com tua pele de veludo de flor,
nos tornamos um só
momento de cor. 


Beto nicou

Arte: Julianna Brion