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curvas, retas e esquinas

quinta-feira, 23 de março de 2017

Asas de outono © Copyright


E tudo é,  como um vinho embriagante tomado sem sentir nada. É extremo feito o infinito, mas é´ vazio de nada. É tudo feito as asas acovardadas, sem poder voar ao sol. É como pés que trilham nas  símplices  e retas estradas. É o passar do tempo nessa estação tão fria, de folhas secas e estagnadas. Como uma estrela, num cintilar sem brilho, ou a água que para sem chegar ao rio.... É essa vida desgovernada. E tudo e´ tão estranho, e´ tão frio, de esfriar o sol! E as folhas sempre caem temendo a colheita, e aí despencam numa poesia condenada.  É um voo perfeito, de tirar o folego, até na calmaria desleixada. E essa coisa do desespero, de mergulhar de vez! Mas é´ poema puro, de outono, toda essa chuva avermelhada. Aí aparecem todas as razões que nos roubam as doces ilusões, tão queridas e tão sonhadas. E esse vento que teima, em nos puxar para a letargia! Parece um sonho, de até sentir medo dessa calmaria repentina, ou subordinada. E ouço a melodia de amor, ou fúnebre? E ouço a voz tão fria, de minha timidez atenuada. Tão fugaz é a covardia e o rubor de minha face, ante uma batida tão descompassada. E aí que bebo o vinho, numa noite escura e também tão fria e enamorada. E tudo que devoro é minha lucidez!  E´ bebida fria, iguais aos abraços frios que ganhei, e todos os sentidos do “talvez”.     By betonicou