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curvas, retas e esquinas

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Suspiro © Copyright


É a vida, e´ a vida, essa sentida saudade que é espinho em minhas feridas escondidas. Amores, amores, meus cravos de dores. Sonhar, sonhar, meu escape para esses momentos sem cores. É riso, ou o suor de meus sonhos de toda lembrança feliz, mas nada leve. Foi alegria tão ditosa, que vivo a divagar a ternura que este mundo levou, e que agora me deve. É romaria, nessa travessia que a alma tanto esse fogo carrega. São os sonhares de todas as cenas gravadas, e que aos meus sentidos a saudade generosa, rude ou não, me entrega. É a vida, e´ a vida, é suor, e´ a mais crua sinalização de alerta. É a falta do que era belo, e´ desespero. É o sentimento que guardo com todas as rimas, e também, com todo destempero.  É a ida que nos leva junto, e nos rouba uma fragilizada alegria. É o vazio, sempre em sinal de alerta. Se bendito, não importa a ida, pois mesmo sofrido meu coração se liberta. Adeus, Adeus! A alma sempre grita aos acenos tristes, debruçada nas toscas paisagens das janelas. São as pétalas que se separam deixando nua a flor entregue, às invernadas faltas de primaveras. São essas lembranças os jardins, onde brinco nos sonhos, todas as presenças das vividas felicidades. Adeus?!  Adeus não existe, quando ainda nos fica a saudade. É a doida partida da vida, que o seu próprio caminho, aqui nesse mundo não se mede. É a felicidade, que para viver, do outro lado do aceno se despede.  



  by betonicou Arte: Galina Poloz




sábado, 27 de janeiro de 2018

Razões © Copyright




Trago no peito: uma flor de lapela, uma gravata sem nó, um enfeite, um cristal e uma pérola. Trago um cravo, uma rosa escondida, um perfume, e um espinho vivo na ferida. No coração:  a batida, um olhar pela janela, uma breve oração, uma fé de capela.


Trago no peito as marcas de amor, mas trago a felicidade contida, sem causa de dor. Trago junto ao corpo uma sombra que me segue. Trago uma sombra, e uma sina que me persegue... uma luz, uma vontade singela, uma chama, e um ardor de pingo de cera de vela...


Trago os contrastes que nos regem a vida inteira. O suor da vida corrida, o sossego de vida solteira. O calor do verão que pede o frio de inverno, e o frio que pede aconchego materno. O suor, e o calafrio dos tempos modernos. Trago o choro, mas esboço sorrisos sempre singelos.

  by betonicou

Arte:Guy Denning 






domingo, 14 de janeiro de 2018

Revérberos .© Copyright

Sou o velho, sou o antigo, e sou moço desse momento.  Sou Maria, mãe e filhos, sou tudo na faceta do espelhamento. E existem os outros nomes, outras faces, outros lares, outras terras e outros ares. Sou o pássaro, sou o anfíbio, ou o peixe nas águas refletidas dos mares. O que aqui mesmo existe, na verdade é tênue. Sou criança de todos os lares, e sou avós de todos os pesares. Sou reflexo de muitas imagens. Sou espelho que se repete nas superfícies dos existentes, e insistentes olhares. Sou o sorriso, e sou o choro nos revérberos das ruas alagadas. Sou o voo diurno das inocentes vaidades amanhecidas.  Sou o espelho lunar no véu escuro das vaidades emplumadas. Sou o novo, ou o  velho e trincado abrigo que mostra as expressões tão sonhadas, e sou os rostos esquecidos sob as peles envelhecidas e enrugadas. Sou areia aquecida e espelhada que mostra suspensa nas paredes, nas poças, ou nos ares.  As vezes sou o esquecido opaco, livre das imagens das vaidades populares. Sou eu quem te lembra que nesse tempo existe, numa verdade nunca escondida. Sou céu ou precipício, porém sou sempre a verdade amanhecida. Sou espelho das águas, das areias. e dos prateados lunares. Sou a vida amanhecida ou anoitecida, de muitos outros lugares.
by betonicou arte:  Inspiration - stained glass design - DidierDelamonica




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Odisseia .© Copyright

 São estrelas guias, essas viajantes, acima de minhas estradas. Feito margaridas nas terras frias, ou
vermelhas das constantes caminhadas. São luzes tênues, feito dor, ou canto da triste ou alegre melodia, pois o sol reclama, da noite que termina o dia. O que seria, sem essas luzes que voam nas asas magicas dos vagalumes? O que seria dos nossos jardins, sem os lindos girassóis que sufocam os amargos queixumes?  São as aquarelas, todas essas luzes coloridas dos reflexos sob qualquer água.  É o   meu sol, a poética luz de velas. É apaziguada madrugada esperançosa pelo dia. É poesia nascente sobre aquela nuvem, que constantemente se deságua. São os pingos desses versos, a esperança sorvida pelos singelos bicos dos passarinhos. São esses gorjeios singelos e inocentes dos pequenos anjos e seus ninhos. São estrelas, as marcas das pisadas, onde caíram as sementes plantadas e germinadas. São estrelas, as flores iluminadas pelas magicas luzes dos pirilampos. São esses jardins, os céus terrenos que nos encobrem nos fins, de tempos em tempos. São esperanças, essas estrelas que no coração todo mundo guarda, mesmo os descamisados de suas razões esquecidas. É sol, até as luzes que são vistas por debaixo das protetoras marquises das alegrias perdidas; sobre o morador que ali persiste. É vento e brisa, sobre toda a pele. É estrela sobre todo o viajante que aqui existe.
by betonicou   Arte: Galina Poloz  Último texto de 2017! Feliz ano novo a todos! Que venha 2018, porque estamos juntos!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Asas divagantes.© Copyright

As asas leves que aplumam as minhas emoções me levam ao ninho, acima daquela serra. Cortam o espaço deste mundo, e fazem -me dar   adeus àquela terra. Não são causas: as folhas passageiras que despencam em todo canto, e nem são as feridas dos espinhos de laranjeiras, nem são as pontiagudas agulhas das roseiras que ferem a quem delas cuidam, sempre em felizes cantos.

As asas que aplumam minhas ideias tão sonhadas, são as canções das lavadeiras das encardidas roupas das crianças brincadas, ou são as lagrimas das carpideiras que emprestam o seu choro, de águas, para as faces secas e caladas.  São as canções dos violeiros que fazem saltitar dançante, e são a leveza dos balões.  É vento que carrega emudecido, ou misturado aos gritantes trovões.

Minhas asas são ideias aplumadas, ou emplumadas, de reais fantasias divagadas nos sonhos ligeiros, feito flores que são estrelas, destes singelos canteiros. É fumaça que se mistura, e brisa das infantis noites embaladas. É cometa vagante da criança adormecida, em seu próprio ninho.... É nave dos horizontes que visita quem está sempre sonhando, em leves delírios de passarinho

Meus ventos são frios ou quentes, ensolarados ou brisas enluaradas, deste meu mundo todo sonhante. É a voz que grita nas trincheiras desta guerra de inocência versus culpabilidade, a todo instante.  É o vento anjo que voa ligeiro pelas aéreas estradas, dos belos sonhos guardados. É nau do viajante, ou passarinho que pousa nas macias nuvens dos céus, simplesmente sonhados.
by betonicou  Arte:Marina Czajkowska -




sexta-feira, 24 de novembro de 2017

voar com beija flor.© Copyright

Venha a mim beija flor que encanta, e sorve a doçura de jasmim. Traz no bico o mel de amor, e acorda a doce ternura em mim. Traz em teu plainar suave a leve canção de embalar. Desperta o meu olhar mais belo, e desta fantasia, não querer mais acordar. Quero olhar pelas frestas o desabrochar da linda flor de marcela, mas quero abrir de todo a janela, para alçar voo em asas cristalinas de libélula.

Tu encantas-me, com tuas lindas cores emplumadas.... Plaino neste meu mundo, onde faz do vento tua estrada. Este meu universo de sonhar, e este elevado, e ávido desejo de voar. Estar por entre as árvores, neste teu espaço, o sereno eu revoar. Brincar por entre as folhas e flores, neste breve momento de sonhar...

Tu embalas este meu delírio de voejar, e não ouço teu canto, nem vejo teu breve instante de voltar. Não iluda meus olhos! Quero ver todos os teus atos de pairar, neste brilhar de primavera, na poesia de tuas cores vivas de aquarela. Quero o mel que sorve neste teu prazer de levitar.... Quero a doçura de um beijo, e deste sonho, já não desejo mais acordar.

Quero voar em teus jardins, onde fez das flores a tua morada!  Tu realças a linda manhã com tuas majestosas asas de poesia emplumada. De tuas pequenas pupilas queria eu ver, o tamanho de tanta beleza! Plainar neste teu lindo verso, esta tua cândida, e esvoaçada grandeza.... Quero ver de teus olhos a clareza das harmonias singelas. Sentir de teu bico o sabor,  dos delicados buques de marcelas. Não acordar deste mágico instante de florida primavera.... Voar em tuas asas de sonhos  todas as manhãs! Quem me dera, quem me dera!
 By betonicou

domingo, 29 de outubro de 2017

Mistérios © Copyright

Sobre teus cabelos me anelo, sem medo, ou receios. Sobre tudo descubro se te quero, quando vais ao meu encontro sem rodeios.... se te cercam mistérios, o que vejo em tua alma, que não sejam só gracejos? Teu sorriso meigo, talvez o meu maior desejo; esse me atrai. Vou ao teu encontro, em meus limites anseios. Vejo uma áurea esplendente!  Quero esvaecer-me, em teus misteriosos devaneios. Quero fugir de ti, e ao mesmo tempo, me achego. Quero-te! Do teu horizonte sou ausente; por que,  medo? Escondo-me, bem longe do teu sol que e’ exagerada face reluzente, e ao longe vejo-te, e teu brilho me deslumbra. Tal beleza no semblante guarda em ti o que tens, e ainda revela mistérios. Quero entender todos os enigmas de teus conceitos.... Mergulho em meus sonhos sufocados por este ar rarefeito deste teu cheiro embriagante.... Tua alma se mescla aos meus sonhos, e aflora todos os meus desejos que são belos por ti, e singelos. Vejo-te refletida em meus óticos espelhos! Teus segredos espelhados em meus anseios... teus anelos invadem-me aguçando minha sede, de querer-te.... Vejo-te e quero-te, e tu desnuda me invades, com teus doces, e deliciosos mistérios...

  
  by betonicou








Arte : Gustav Klimt