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curvas, retas e esquinas

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Sossego © Copyright

E tudo em volta florescia; até os brancos em lírios do pecado, meu amor. E tinha a calmaria do anoitecer e do amanhecer. Tinha as estrelas que cintilavam o acontecer, e o sol acenando no horizonte, com raios, feito flor.

Sim! — Tinham os acenos, mas não eram de fazer saudade. Tinham os cantos dos jardins, bem ali, no quintal de minha mocidade.  Tinham as águas calmas das torneiras de minhas preces, e no ar, a voz de minhas ternas felicidades.  

Lá naquele mundo é sagrado: as vertentes das águas calmas, da alma que orvalha, noite e dia. Há aquele jardim todo santificado; com o amor das azaleias, das rosas, e das tantas outras formosas e singelas perfumarias.  


Lá o vento ecoava calmo pelas vias das minhas narinas, e tinha o vale de minhas ternas brincadeiras, que era sagrado, às minhas verdes retinas. Lá onde mora a primavera, e todas sementes molhadas de águas cristalinas. 


  by betonicou
Arte:Anna Silivonchik

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Fragmentos © Copyright


Eu acordei com pensamentos sutis e refiz os teus cabelos de tranças, com tantos fios de seda cetins. Eu acordei com saudades, ao lembrar-me das aventuras juvenis, e revi numa canção a natureza de amar, e aventurei-me nas    proezas de saltar todos os abismos não gentis. Pendurei-me na torre da capela, e pintei de todas as cores as mazelas, e os cinzas que manchavam as minhas aquarelas. Cuidei-me de resguardar, aqueles momentos de subir pelas limeiras, com esses pés de subir pelas cancelas. Eu sepultei todos os sentimentos hostis, e mergulhei nas águas; me levantei com pensamentos não febris. Eu refiz toda a saudade, com os pensamentos férteis das emoções puramente civis, e   chorei de saudade, de cantar sonetos. Refiz meus caminhos, que antes andavam pelos escuros guetos. Eu tirei das lembranças, momentos bons de contentamentos, e refiz todos os caminhos do meu tempo, que hoje, são uma terna lembrança. Lembranças leves, de asas de pura inocência, de juvenil esperança. Como a libélula tem seu tempo nos ares, ao sabor dos ventos segurei-me nas asas transparentes dos puros e brancos discernimentos; memoria doces, ao saltar de cima do leito. Brinquei com teus cabelos de tranças que navegavam nas ondas dos meus vagantes pensamentos. Eu tirei da saudade, brinquedos singelos de crianças, e rodopiando por entre teus laços atei-me, às tuas teias de puras e belas lembranças. Senti as gotas de tempo, a refrescar minhas memorias a tempo. Tempo de sarar todas as feridas, e retroceder aos belos momentos. Tempo de sorrir e não chorar, o que vaga agora no tolo esquecimento; quero alento! Eu relembrei com saudade, esse pouquinho terno do tempo. by betonicou






 Arte: Anna Magruder &Anna Silivonchik



























segunda-feira, 16 de julho de 2018

Baile de circo © Copyright

Balas doces, para adoçar a boca, as pontas dos pés para dançar na rua, um café para comer tapioca, um chalé para se proteger da chuva, um gole para esquentar na maloca. Uma pedra de palavras duras, um corre-corre, da multidão nas ruas. Uma flor com poucas pétalas, do que restou do mal me quer, uma pétala nas mãos, de quem bem me quer.



Duas janelas que expõem as paisagens da alma, duas almas que se cruzam, uma ponte, duas faces, uma calma. Uma panela, um fogão, uma chama; na cozinha duas mãos para resolver a trama. Um balde, uma corda e um poço com água no fundo. Uma boca e um nó na garganta ao sorver as águas do mundo. Uma trilha, um cheiro, um vestígio de pegadas, um sol que se põe, uma sombra e uma caminhada.



Água doce para a sede da alma. Na ponta do lápis: um ponto, um escorrego nas linhas da palma. Tudo são círculos, são ventos no ar, são nuvens que choram, são sementes a brotar. São ondas eriçadas de cristas do mar. São vestígios da vida, são frases relidas, são frutos da alma, das realidades Incontidas. São as pautas do universo, onde se escreve todas as trilhas, e são sementes, são flores que desabrocham nas áreas das linhas vividas.



São gestos de aceno, ou são as bandeiras de largadas; ou são botos ou tubarões, neste mar de águas afogadas.  A calma e a ira, são estrelas irmãs. O sol e a lua, são noites e manhãs. São pedaços e são tudo; depende da vida vivida. São rios ou regatos, são vertentes da caminhada escolhida. Tudo são pontos escritos em linhas. São saltos aos trancos, tal qual circo, num mar de palcos e saltimbancos


by betonicou



Arte: Enigma da arte -clown on unicycle | Flick









quarta-feira, 20 de junho de 2018

Lençóis © Copyright



Então são todas as mulheres, rosas perfumadas, lírios, ou flores de jasmins. Também são paixões loucas dos fogos ocasionados, ou são os ramos amorosos que crescem em todos os jardins. São sonhos de valsas e musas; inspiradoras dos meus afins. São também tudo o que sou. É a mãe e outras mulheres, de todos os beijos carmesins. 

São todos os sentidos que fazem os vícios, de todos os costumes em mim. Acaso são versos tolos e os brincados amorosos, por debaixo dos lençóis de cetim. E vagueio no vicio, desse meu cio sobre a tua luz.  E tu,  aveludada beleza de flor me cobres de um verso sem fim, e toda assim me seduz. São todos meus sentidos, os juízos que me fazem assim.

Ser teu passeio e´ vicio, igual aos teus caminhos que teimo sempre ir. São as manhãs tão boas, após as noitadas atoas, que deixamos sem poder sentir.  Aquele sono de precipício, onde caímos ruindo, sem poder fluir. Parece que somos objetos sem cor, mas ai de mim se teus lábios não viessem em paz, no pesadelo tolo, não vier me acudir.

Se tu passeias eu grito, e aquele meu gemido e’ também o juiz. E tu fogosa é formosura de flor, e sou jardineiro, ou o poeta quem diz. Se ali tu estiveres, entre todas as mulheres, o que faço de mim?! Eu lhe darei mil rosas de amor, e do meu cheiro o adocicado de anis. Se me esquecer eu grito que estou aqui, e que perto, é que sou tão feliz. 
  

by betonicou

Arte: Gustav Klimt

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Fascinação © Copyright



Os passarinhos ainda se emudecem, pelo beijo que tanto quis e não senti. Não há gorjeios que me lembrem, ou de sonhar as coisas que ainda não vi.   São testemunhos de meus beijos os outros colibris, e de minha nudez a sereia, ante o cantar tão natural, dos curiosos e convincentes bem- ti- vis.

Ainda me vejo no que me alegra: as mudas de amor que tanto irriguei, o terno olhar que sempre vi, quando passei diante dos olhos, e não parei. Às vezes as canções me alucinam, pois são as lembranças que tanto cantei. Também são promessas não cumpridas, até o   beijo de amor que não roubei.

Nada mais me surpreende, ou me compreende, ante este amor que é a minha luz. São eternos, os luares dos românticos lugares que tanto esse amor me conduz. Ainda me aquece o que me entende: As frestas por onde vejo estrelas, o jardim ardente de flor, e ainda, os portais por onde vejo o amor.


As aves que trazem em seus bicos as estrelas, são as canções que tanto desse amor entendi. São os cantares, todas as promessas cumpridas, até o ardente beijo que senti. E são as palavras carregadas dos cálidos desejos, as letras poéticas que te envolvi. São orvalhos, os doces cantares que sempre ouvi.
 by betonicou Arte: Ronnie Biccard

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Orvalho © Copyright

Seja como for! Seja a luz dos teus olhos que clareou meu destino. Os teus cabelos loiros ou negros, são fios que entrelaçam os meus carinhos, e as estrelas caindo, são de manhã os teus beijos de orvalho, com o cheiro, e frescor doce das hortelãs. Seja o que for! Se e´ o tempo do meu destino, então me abrace todo, pois a alma pede... e que não seja fraco, e que seja bem devagar. Clareia mais os meus olhos, nos teus olhos azuis das borboletas que voam acima do meu leito. A minha cama é o nosso divã.... Na sua pele macia, os meus beijos pousam e acariciam, e tudo basta para sentir, sem ser preciso entender. É esse amor, a luz que sinto, e que nem o tempo apaga, ou apagou o destino. Aquele, em que se dão as mãos e caminham felizes.  Lutar, talvez seja preciso, e mudar e florescer, para acontecer se preciso for. As estrelas não caem! Apenas são nossos fogos que estouram no noturno céu, e essas nos cobrem com as mãos macias, como aveludadas pétalas. O céu tão nublado, de nuvens de amor deságua enfim! Os céus tão estrelados de flor consagro a ti! Isso é amor e não se escolhe.... Apenas acolhe e colha, o que você  plantou em mim. 
 by betonicou        Arte: Sergio Lopez
               

domingo, 15 de abril de 2018

Ciranda, flor e mel © Copyright


Ontem eu vi, e fiz o que sempre quis: Um pássaro beijando a flor, um beijo declarando amor, e olhos deitados contemplando o céu. Vi fugaz a nave voando no ar azul, e contemplei o que os lábios sentiram muito bem; um beijo que durava mais, o rodopiar do voar de uma flor, e o gosto que durava muito além!

Tudo eu quis, do que sempre vi: Um jardim para plantar amor, o beijo delicado do beija-flor, na flor que guardava mel.  Vi chegando as saias que rodopiavam muito mais, e vi estrelas nesse mar de céu, e senti também: O gosto do que quero até demais, no embalar no barco do amor, da flor que chamo de meu bem. 

Sempre quis:  Nessa doce ciranda  poder   brincar, mesmo nos dias que a chuva pingava fel. Sempre quis a flor de todos os roseirais, e como orvalho quis  refrescar mais e mais, e depois voar nos lábios que guardavam mel.   sempre quis ir  um pouco mais além, às vezes  seduzir sem pudor perguntando; o que é que tem?


by betonicou
Arte:Svetlana Modorova