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curvas, retas e esquinas

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Desertos de Minas © Copyright


São ruas feitas de pó, mas são sementes de sol. São as tardes tão festeiras de danças, e tem campos de girassol. São da terra, os que nascem neste chão de ribeiras. São águas claras, são colinas verdes, íngremes ribanceiras.  Eu nesse recanto crio versos, onde sonho os meus cantos. Vejo a luz refletida nessas águas, e então vejo-me em singelos e ternos encantos.


São ribeirinhos contentes.  É festeira essa gente que nos ensinam que a vida requer apenas viver e semear, e que o pão pode ser colhido, num bordado de roda de tear. Vejo a luz no horizonte, onde se avermelha um sol. Vejo estrelas que despontam, num cintilar docemente. Vejo as terras onde nascem, os fios das águas de um rio; antes imponente. E eu nessa terra molhada pelas lágrimas, antes de encantos naturais vejo as crias que são esses   filhos, ainda dançantes das gerais.


É um sonho este chão, onde se semeia nosso pão. Esse trigo dos versos que se cantam em oração. E ao longe vejo um cavalo, e suas patas dançam os versos das pessoas campeiras. Solto e salto de minhas altas amarras, num voo livre de aves ligeiras, onde rasgo num sonho, esse ar ainda límpido das matas feitas capoeiras. Crio versos, onde sonho a saudade, e essa ainda é livre; ainda que escravizadas, as matas   mineiras.


São os sonhos de então, numa razão de solidão, onde lancei as minhas preces num bradar alto de desespero, em forma de oração. São meus sonhos feitos fumaça, onde se dissipam em destempero, ao olhar as vestes verdes desta linda terra sumirem em tolo exagero!  Porém, ainda planto as flores no ermo da solidão e as rego com lagrimas de sofreguidão. Ainda sonho, a poesia desta terra e canto uma saudade, desde então.  Minhas lembranças, ainda me fazem sonhar toda a esperança! Ainda sonho que é tudo bonito, feito dias de chão de criança.



by betonicou 
Arte : Ciro Fernandes

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Espelhos horizontais © Copyright


Fui visitar a lua fria, nos longínquos estelares. Anjos voaram ante minha face, no meu viajar lisérgico pelos mares desses ares. Vi os que vivem fora do mundo e quase sempre, os abaixo das nuvens repletas de suas singelas chuvas ou tempestades. E vi subirem o revoar saudável ou insano, das afiadas e não menos, belas plumagens. Voejavam, ao senhor das sublimidades.

Toquei o orvalho, bem antes de cair sobre mim! Voei nas chuvas, rumo as flores de todos os lares.  Subi com as preces que diziam tudo sobre mim, e ai de mim sem meus ombros; os poleiros das asas claras, dos seres espetaculares. O mundo abaixo brilhava suas luzes, ao redor de suas estradas do acaso. Acaso seria eu, um dos ventos a tocar, as coisas infinitas ou seculares?!

Ai de mim nesse chão de espelhos, por onde vejo a lua, e a noite com seus pingos de claridade. Por onde, os caminhos da face encontram os joelhos, num tino de sossego, todo revestido de prece da humildade. Nas poças d'águas entrei e viajei, para o além daquele refletido caminho imaginado. A lua deitada sob mim vigiava, aquele meu sonho; eu delirante e acordado.





by betonicou


Arte:Marina Czajkowska


sábado, 25 de agosto de 2018

Irreal e solido © Copyright



Vejo esse quadro, num todo geral. Vejo uma sala, e vejo um quarto onde quero dormir. Vejo um voejar nesse meu ar escuro. Vejo um andar de montanha russa, e vejo um passar de minha história, nesse espaço de descansar e de sentir. Nesse lugar, antes do despertar matinal pinto as imagens que são para relembrar as minhas aventuras de dormir. Pinto a gaiola com seu homem pássaro, que é para recordar que todo o sonho é fácil; até o de prender aquele pássaro e negar o seu voar nesse espaço, de poder ir e vir. Sou passageiro do real, porém trafego, em todo esse ar das coisas não naturais. Sou o homem sem seu ar de gloria, e sou aquele sujeito que pintou a sua história nas paredes do seu quarto; que é para evocar e refletir.  Quem ler, não deve acreditar ou desacreditar, pois são fatos, desse meu mundo real ou transcendental.  Quem ver pode acreditar, pois esse, é o meu jeito de ver e sentir; bem natural. Vejo aquela Janela matinal, por onde avisto aquele horizonte, por onde o sol desponta. Vejo lá no longe, onde ficou toda aquela prosa. Vejo olhares incertos, e   não sei se são simpáticos ou se são apáticos, porém isso ninguém me conta. Vejo aquele pássaro livre da gaiola, mas com seus voos nada práticos, porém simpáticos; isso, também ninguém me conta. Vejo o voejar livre da gaiola, mas às vezes, não são voos práticos. Vejo que sente falta de seu cárcere, pois aquela prisão, era o seu quarto de sonos plácidos. A liberdade,  às vezes é um cárcere de tijolos sólidos, num voo sem rumo e sem sinal. Tudo vejo, no momento escuro dos olhos. As clarezas dos olhos claros dormem esse sono atemporal, naquele espaço de fluir.


 by betonicou
 Arte:Marina Chaykovskaya & Madam.pl

























sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Sossego © Copyright

E tudo em volta florescia; até os brancos em lírios do pecado, meu amor. E tinha a calmaria do anoitecer e do amanhecer. Tinha as estrelas que cintilavam o acontecer, e o sol acenando no horizonte, com raios, feito flor.

Sim! — Tinham os acenos, mas não eram de fazer saudade. Tinham os cantos dos jardins, bem ali, no quintal de minha mocidade.  Tinham as águas calmas das torneiras de minhas preces, e no ar, a voz de minhas ternas felicidades.  

Lá naquele mundo é sagrado: as vertentes das águas calmas, da alma que orvalha, noite e dia. Há aquele jardim todo santificado; com o amor das azaleias, das rosas, e das tantas outras formosas e singelas perfumarias.  


Lá o vento ecoava calmo pelas vias das minhas narinas, e tinha o vale de minhas ternas brincadeiras, que era sagrado, às minhas verdes retinas. Lá onde mora a primavera, e todas sementes molhadas de águas cristalinas. 


  by betonicou
Arte:Anna Silivonchik

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Fragmentos © Copyright


Eu acordei com pensamentos sutis e refiz os teus cabelos de tranças, com tantos fios de seda cetins. Eu acordei com saudades, ao lembrar-me das aventuras juvenis, e revi numa canção a natureza de amar, e aventurei-me nas    proezas de saltar todos os abismos não gentis. Pendurei-me na torre da capela, e pintei de todas as cores as mazelas, e os cinzas que manchavam as minhas aquarelas. Cuidei-me de resguardar, aqueles momentos de subir pelas limeiras, com esses pés de subir pelas cancelas. Eu sepultei todos os sentimentos hostis, e mergulhei nas águas; me levantei com pensamentos não febris. Eu refiz toda a saudade, com os pensamentos férteis das emoções puramente civis, e   chorei de saudade de cantar sonetos. Refiz meus caminhos, que antes andavam pelos escuros guetos. Eu tirei das lembranças, momentos bons de contentamentos, e refiz todos os caminhos do meu tempo, que hoje, são uma terna lembrança. Lembranças leves, de asas de pura inocência, de juvenil esperança. Como a libélula tem seu tempo nos ares, ao sabor dos ventos segurei-me nas asas transparentes dos puros e brancos discernimentos; memórias doces, ao saltar de cima do leito. Brinquei com teus cabelos de tranças que navegavam nas ondas dos meus vagantes pensamentos. Eu tirei da saudade, brinquedos singelos de crianças, e rodopiando por entre teus laços atei-me, às tuas teias de puras e belas lembranças. Senti as gotas de tempo, a refrescar minhas memórias a tempo. Tempo de sarar todas as feridas, e retroceder aos belos momentos. Tempo de sorrir e não chorar, o que vaga agora no tolo esquecimento; quero alento! Eu relembrei com saudade, esse pouquinho terno do tempo. by betonicou






 Arte: Anna Magruder &Anna Silivonchik


























segunda-feira, 16 de julho de 2018

Baile de circo © Copyright

Balas doces, para adoçar a boca, as pontas dos pés para dançar na rua, um café para comer tapioca, um chalé para se proteger da chuva, um gole para esquentar na maloca. Uma pedra de palavras duras, um corre-corre, da multidão nas ruas. Uma flor com poucas pétalas, do que restou do mal me quer, uma pétala nas mãos, de quem bem me quer.



Duas janelas que expõem as paisagens da alma, duas almas que se cruzam, uma ponte, duas faces, uma calma. Uma panela, um fogão, uma chama; na cozinha duas mãos para resolver a trama. Um balde, uma corda e um poço com água no fundo. Uma boca e um nó na garganta ao sorver as águas do mundo. Uma trilha, um cheiro, um vestígio de pegadas, um sol que se põe, uma sombra e uma caminhada.



Água doce para a sede da alma. Na ponta do lápis: um ponto, um escorrego nas linhas da palma. Tudo são círculos, são ventos no ar, são nuvens que choram, são sementes a brotar. São ondas eriçadas de cristas do mar. São vestígios da vida, são frases relidas, são frutos da alma, das realidades Incontidas. São as pautas do universo, onde se escreve todas as trilhas, e são sementes, são flores que desabrocham nas áreas das linhas vividas.



São gestos de aceno, ou são as bandeiras de largadas; ou são botos ou tubarões, neste mar de águas afogadas.  A calma e a ira, são estrelas irmãs. O sol e a lua, são noites e manhãs. São pedaços e são tudo; depende da vida vivida. São rios ou regatos, são vertentes da caminhada escolhida. Tudo são pontos escritos em linhas. São saltos aos trancos, tal qual circo, num mar de palcos e saltimbancos


by betonicou



Arte: Enigma da arte -clown on unicycle | Flick









quarta-feira, 20 de junho de 2018

Lençóis © Copyright



Então são todas as mulheres, rosas perfumadas, lírios, ou flores de jasmins. Também são paixões loucas dos fogos ocasionados, ou são os ramos amorosos que crescem em todos os jardins. São sonhos de valsas e musas; inspiradoras dos meus afins. São também tudo o que sou. É a mãe e outras mulheres, de todos os beijos carmesins. 

São todos os sentidos que fazem os vícios, de todos os costumes em mim. Acaso são versos tolos e os brincados amorosos, por debaixo dos lençóis de cetim. E vagueio no vicio, desse meu cio sobre a tua luz.  E tu,  aveludada beleza de flor me cobres de um verso sem fim, e toda assim me seduz. São todos meus sentidos, os juízos que me fazem assim.

Ser teu passeio e´ vicio, igual aos teus caminhos que teimo sempre ir. São as manhãs tão boas, após as noitadas atoas, que deixamos sem poder sentir.  Aquele sono de precipício, onde caímos ruindo, sem poder fluir. Parece que somos objetos sem cor, mas ai de mim se teus lábios não viessem em paz, no pesadelo tolo, não vier me acudir.

Se tu passeias eu grito, e aquele meu gemido e’ também o juiz. E tu fogosa é formosura de flor, e sou jardineiro, ou o poeta quem diz. Se ali tu estiveres, entre todas as mulheres, o que faço de mim?! Eu lhe darei mil rosas de amor, e do meu cheiro o adocicado de anis. Se me esquecer eu grito que estou aqui, e que perto, é que sou tão feliz. 
  

by betonicou

Arte: Gustav Klimt