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curvas, retas e esquinas

domingo, 28 de junho de 2020

Pausa!


Queridos companheiros e amigos da blogosfera, aconteceu uma pausa não prevista ou programada por mim. Sei do carinho de todos vocês para com minha pessoa, por isso penso que lhes devo satisfação.  Essa pandemia trouxe vários prejuízos: profissional, físico e emocional. Espero que todos vocês estejam bem e se cuidando. Nesse tempo atípico faltou trabalho, mas está voltando aos poucos. Confesso que me falta ânimo para escrever e comentar. Não gosto de ler e comentar apenas por obrigação, pois considero tal atitude uma falta de respeito para com todos vocês e, espero que compreendam; voltarei em breve, se Deus assim o permitir. Agradeço de coração, àqueles que enviaram mensagem demonstrando preocupação com a minha pessoa; acredito, que é por aí.... Vamos andando sempre em frente, não importando quais são os obstáculos, porém, a vida cobra prioridades.... Um carinhoso abraço a todos vocês e, até breve!   Deus abençoe a todos!

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Solitate © Copyright

Sorrindo caminhei, na valsa nova flutuei, levei de balsa o carinho. De menino travesso a rei, um rei sem reino, eu sei; minha estrada bamba, de corda de linho.
  Escadas para o céu subi e, das nuvens fracas despenquei. Quando para a esplanada olhei, uma certeza sempre terei: de lá, nunca fazer meu ninho.
Eu refleti, quando na areia branca desenhei; onda de mar lavou meus sentidos. Eu santo caminhei, junto, aos pecados que descobri; rosa, sempre será a lança em meus conflitos.
 Tanto faz a saudade do que senti e passei, a liberdade, que tanto guerreei e fiquei iludido, se não terei direito a prosas; versos, que enfim escreverei sobre amar e prantos.
Bem sei, que menino, da inocência é rei, reino que se traz sem ruir, parque de sonhos que se desenha em sorrisos de criança; esses, sempre serão as joias mais preciosas.
 Imaginárias asas da infância, que sempre traçaram os caminhos, canteiros, que sempre escondi meus mimos; hoje flores, de uma saudade intensa. 


By betonicou
Arte: Sam Hyuen Kim & Lucy Campbell



segunda-feira, 18 de maio de 2020

Sutilezas© Copyright


Ah, não me negues voz para canção, uma flor que enfeita a primavera, uma paz que torna a alma singela, luz que aponta, mesmo que o tremular manso da luz de vela. Não me negues o canto da sereia, o amor de um instante, a flor que se solta ao vento, descanso para meu espírito caminhante; mesmo que em ventanias, se desejo as brisas mansas; não me negues um brilho solto sobre a terra. Se solte, solta em meus delírios, se cantas lírios, eu grito de quem preciso; és tu a luz do meu destino, minha estrada, ou meu risco. Vai ver, que foste feita das estrelas, eu poeira me apego fascinante em teu brilho. Vais ver que és mundo, bem acima desta esfera. Não me negues noites tão festeiras, uma dança de lua, o teu fascínio. Não me negues flor de paraíso, pois se negas amor, é teu declínio. Não me negues a pauta da canção, a voz, o riso; nesta dança seja o ritmo.   Sejas silêncio que sufoca o grito, beijo quente que preciso; amor de flor, do meu jardim das aquarelas.
By betonicou
Arte: by Russian artist Yuri Matsik


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Amor de morena © Copyright

Se te faz serena neste ar de deusa morena, o que é o céu, senão o jardim do teu amor? Se voas calma, o que me importa, senão meu pousar feito beija-flor.  Nas calmarias vais me levar, em ventos muito fortes. Beijando sul e norte, levitando, polinizando, na maciez confortável deste amor. És nave, a me levar aos astros no infinito.  Sou passarinho mudo e não grito; apenas beijo; essa é a minha terna e desapegada emoção. Se serenas flor, nessa terra dos meus desejos: beijo como for. Se és mar de remar num vento de emoções: a vida é vento norte, e eu, vela, me encho solto. A vida é ar que se esvai, e eu leve levito sorte; sem tempestuosas sensações. 

By betonicou


Arte: Faiza Maghni & Didier Lourenço



segunda-feira, 6 de abril de 2020

Ainda primavera © Copyright

Desenfreada estação da vida. Ondas de notas tênues a tocar os ouvidos em sons de flautas desafinadas. Sobre a cama debrucei lençóis de lembranças empoeiradas, que dantes, eram pensamentos guardados em prateleiras sossegadas.  Havia um canto no quarto esquecido de minha mente. Havia um quarto com canto de menino a soar tão docemente. Havia um quintal onde a simplicidade habitava junto aos pés de limeiras. Havia um teto feito da proteção das   telhas vermelhas, num quintal reinado pelas aves esganiçadas e arruaceiras. Sobre a cama o corpo descansa de suas rotinas cansadas, enquanto a alma se orquestrava junto às memorias brotadas e agitadas. Era forno e fogão, eram dias meus de arrumação. Maneiras se foram; quero descansar. A lenha trepidava incandescente e o forno que consumia o fogo paria generoso meus pedaços de pão. Outono, mais uma vez surgiu. Folhas caíram do meu agitar ao vento. É chão, minha lembrança mais bela, desde então.  É lençol de grama, travesseiro de pequenos montes, onde desembrulhei quem sou. Estações marcaram de diferenças todo meu canteiro. Havia uma janela, donde embrulhei singelas lembranças; onde guardei quem sou, onde sonhar eu vou por inteiro. Ah, meu mundo lá detrás! São lembranças velhas de menino, de tempos atrás. Vieram de tão distantes, as memorias, em lençóis de sonhos. Um passeio alegre, mesmo, que amedrontado estou. São lembranças longe, mas as cantei, em paz. 
♫♪♫ By betonicou 
Arte: Judith Clay

terça-feira, 31 de março de 2020

Esperança é céu © Copyright



Parou o mundo em que estou; aqui, já não é lá atrás. As ruas vazias se emudecem além: Solidão restou; nelas já não pisam mais. O céu tristonho nem chorou, não lavou o chão, e as águas não querem mais molhar. Tristes são os moradores e passeantes do céu; deixei de acompanhar seus voos. Inversão restou e agora sei: que prisão tristonha, se tornou meu lar.  Parou, pesou meu coração. Alegria, é sorriso raro de encontrar, e anseio, é pura emoção disforme a bater forte no peito. Sei que não estou, mas sei esperar onde também não sei ficar.  Mãe tentou abraçar, mas parou sem encontrar um jeito. Esse amor alado que sempre levitou, agora de longe acena um carinho, sem sorrir, sem ter direito. O amanhã de sol raiou, mas não resultou esperado olhar. Tudo   então cessou! Brisa passou, e sossego, não a acompanhou. Triste essa noção, de não saber se estou. Ah, o mundo então orou! De joelhos vou tentando acompanhar. O horizonte avisa, que o pai já preparou: ombro de genitor, ninho de mãe para pousar, sorriso que se renovou, liberdade leve pra voar.  “Oração voa com jeito.”By betonicou
Arte: kmberggren-

domingo, 22 de março de 2020

Poesia reinventada © Copyright


Na verdade, não fui feito para as palavras ditas em alto som e, até pressuponho , que se  tal  fato   houvesse ocorrido, não me faria entender pelos outros sobre  a   fragilidade ou a    complexidade  de minha existência ; por isso, também penso, que possa até ser, que o criador tenha me feito de barro trêmulo e me soprado ares pesados que me fizessem  ficar rente ao chão, me livrando assim, dos voos insensatos de  um homem feito anjo iludido. Fui inventado portador de asas frágeis, para que, o “eu”, não ousasse o patamar dos seres celestiais. Assim fui moldado  da fragilidade das asas das borboletas, que pousam rente, por onde se escrevem em poesia; baixinho, como um sussurro, de quem apenas se ajoelha, para se elevar ao longínquo  vazio  e lavar a alma com gotas do orvalho , que caiu dos olhos do céu para vestir de refrigério o início de todas as ensolaradas manhãs. Fui inventado homem, em meio aos ninhos e as tocas dos bichos; sob arvores e montanhas que se agigantam e enamoram a liberdade do infinito.
By betonicou
Arte: Eugene Ivanov

Devido aos belíssimos trabalhos do grande  Manoel de Barros (meu patrono)   resolvi homenageá-lo, a partir de um desejo seu: "Eu penso
renovar o homem
usando borboletas."