Um ponto negro no espaço
antes vazio.
Ali —
aguça.
O branco, com um centro,
vira encanto.
Com imponência,
atira-se ao campo aberto:
o infinito, agora,
manchado.
Um toque noturno de cor
na folha comum.
Papel.
Algodão.
Silêncio.
Procura irmãs,
cores fragmentadas.
Nada.
Segue só —
escuro nas manhãs claras.
No alvo, destaca-se:
preto.
Centro ou canto,
pouco importa.
No branco,
seduz o olhar.
Epicentro.
Reino soberano
sem vizinhança.
Sem partilha,
reina.
Um ponto
franco,
escuro,
no branco.
“Mesmo na
vastidão do espaço branco, um único ponto preto pode reinar soberano,
destacando-se em sua singularidade e provocando reflexões profundas. A solidão
não diminui sua importância, mas sim, acentua sua presença.”
Betonicou©
Obs: Escrevi esse texto há doze anos atrás. Disseram-me que não combinava com meu estilo. Repaginei e resolvi postar. Não sou fiel a estilos e regras. "Sou nato de coisas letradas e mancas."

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