Noite de estrelas. O homem sai às ruas. Esbarrou-se nas mariposas, nas rebeldes falcatruas. São tantas estrelas que vagueiam pelas ruas. São tantas luas, refletidas, nas poças das ruas nuas. O ar viciado embriaga o senso dos desavisados. o tabaco flutua em vapores secos e opacos. Na noite, em que as cores se acinzentam, os lobos caçam e as lobas amamentam. Os animais noturnos acuam e devoram. As mariposas perdem suas asas nos ares e, são devoradas, nos sujos balcões dos bares. As estrelas estão vermelhas. Os olhos, cansados, trocam as cores, deturpando o sentido cristalino. Na calçada, o homem vive o lado desatino. Vagam, pelas ruas, as mulheres rameiras. Tristes, vagam, pelas misérias; sem eiras nem beiras. Na noite, por mais sombria que seja, vagam os tolos boêmios, cantando lindas asneiras. Na calçada, cambaleia o homem, com tom embargado, cantante. Fuma um cigarro barato, revezando-o com a gaita, num tocar melancólico e angustiante. Um tombo, um levantar, um sentar desajustado. Ainda assim, sopra as notas, num soprar triste, de tons embriagado. Entre lágrimas e a dor do coração partido, procura refúgio, num pobre amor pago e distorcido. Sob a fria lua, um desabafo, jogado pelas ruas. Ante a lua, dançam as mariposas, sem asas, pobres e nuas. Na noite de estrelas e mágoas, cambaleiam as criaturas, pisando em distorcidos reflexos de luas, nas cinzentas poças de suas ruas..