Vivo por fios de possibilidades.
Sou
planta que descansa
em
um jardim confiável,
cuidada
por mãos errantes,
um
jardineiro sem raízes.
Cachos
doces de uvas me desapontam
se
o azedo mancha o sabor,
mas
gosto das cores que se completam,
como
quadro que amansa os olhos.
Carrego
o peso das formigas,
mas
dentro de mim repousam
ares
leves,
um
clamor interno,
feito
o cantar estridente das cigarras.
Sofro
de vontades disfarçadas,
sementes
em metamorfose,
fora
das crisálidas.
Luto
um luto, onde há enterros
de
coisas involuídas,
evoluções
de traças
para
troços evoluídos.
Quando
sou poesia:
sou
orvalho que evapora,
semente
aquosa
em
nuvens pesadas.
De
verso em verso,
a
poesia grita,
silenciosa.
De
pingo em pingo,
me
tornando chuva.
Betonicou©
Arte-Denis Sarazhin-Costa Dvorezky
Responderei se for preciso.

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