Meu beijo é de passarinho:
flor de lua que chega
sem aviso.
Quando vejo, já beijei
em aquarelas
as cores da flor
onde meu bico de néctar
vai semeando
cor e sabor.
Para beijar, viro beija-flor.
No frio, não desejo o verão,
mas as primaveras.
Quero os lábios doces
das azaleias.
A terra é um céu
de estrelas floradas.
A lua, rosa prateada
abrindo-se
nas madrugadas.
Se sou forte ou fraco, não sei:
nem ninho faço.
Neste jardim, não fico.
No chão, sou menino
ainda a brincar.
Se te beijo, sou pássaro errante:
pouso nos lábios
e parto.
Sou vento em brisa,
chuva mansa,
toque breve
que rouba da memória
o que pode voar.

