A vida tem seus encantos diversos:
uns doces, outros amargos,
como chocolates
que viciam
ou enganam o paladar.
Às vezes me debruço
na janela da extinção —
minha imaginação em retorno —
onde uma lembrança se esconde
no canto de uma sala vazia.
Havia o terreiro
com fios estendidos,
onde pendiam cores
que um dia seriam
faixas mortuárias
de uma humanidade tênue.
Havia prateleiras:
umas cheias de sorrisos vazios,
outras transbordando
risos de palhaços
viciados em alegria fabricada.
Era pão
a massa torrada
a enganar a fome.
Era nuvem
a viagem leve
a encher o estômago
de borboletas.
Memórias são transeuntes:
andam soltas,
perambulam no ar.
A vida segue distinta.
Os passos escolhem ruas bifurcadas
para, quem sabe,
se encontrarem,
se calçarem,
se amarrarem
em vivências entrelaçadas.

