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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Manhã © Copyright


Ah, quando
te viras do avesso,
o céu não amanhece —
explode
do sono da noite.
Se arrancas
a lua,
não ficas nua:
acesa,
nasces
no corte do primeiro raio.
Manhã,
não és singela.
És lâmina clara
rasgando o escuro
sem pedir licença.
Não precisas de vela.
Teu corpo
é o incêndio.
Tempo de luz aberta,
flor sem pudor,
véu queimado
antes do toque.
Quando nasces,
não estendes mechas:
lanças ouro,
escorres fogo,
pingas clarões
sobre a carne do mundo.
Da lua herdaste
o delírio,
não a calma.
Nasces estrela
em queda.
Não és colo —
és vertigem.
Não és sonho —
és vigília.
Manhã?
Deus
olhando
o mundo
pela primeira vez.


 



 By betonicou

Arte: Rassouli art studio

 

 Responderei se for preciso.