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domingo, 26 de setembro de 2021

Refúgio © Copyright

 

                                                                              


Ah, se tiro das nuvens tempestades:
os trovões são meus gritos.
Se as águas são meu derramar
de verdades ou inverdades,
diluo-me — com prazer —
entre ruas e guetos,
nos conflitos que carrego.

Danço sob os pingos,
banho a pele nos encontros.
A chuva que molha
é a mesma que lava,
companheira da dança
em que a alma se declara.

A alegria vem pela manhã.
O sol é lençol brilhante
que me entende.
As notícias me procuram,
mas os fatos não me surpreendem.

O que acontece nas ruas e becos,
o que se revela entre o abrir e o aperto.
O que não está
espia pelas frestas,
onde a verdade se esconde.

Os pés que tateiam o chão
são os mesmos que o compreendem.
Rostos — molhados ou não —
são máscaras do que se insinua.
Ao buscar a razão, descubro:
é a emoção que me esconde.

Vidas derramadas nos divãs
são enxurradas
ou leveza de água no chão.

A tarde é parte do tempo
para saber onde estou.
Antes da manhã,
a noite estendeu um varal
para secar ao sol
o que a tarde molhou.

De mim,
ficaram pingos
que não caíram em vão.

Betonicou©
 
Arte: Riccardo
 Guasco

15 comentários:

  1. Meu nobre amigo Adalberto,
    Passamos a torcer as nuvens, para camuflar os nossos olhos ainda em tempestade, diante destes tempos pandêmicos que nunca findam.
    Os trovões das nossas expressões, são mesmo gritos, mas, quem nos ouve, se hoje ainda estamos todos ilhados em nossos medos?
    Sentimos saudades do prazer permitido, entre as ruas e os guetos... Entre as pernas que caminhavam sem rumo e os beijos.
    Mas, nada será tempo perdido, como disse um dia, nossa boa “Legião”... Nós somos muitos e voltaremos a respirar sem máscaras e também a sorrir.
    Sempre atento aos teus belos escritos.
    Abraços alvinegros e boa semana!!!

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  2. A sua escrita é inebriante.
    Abraço, boa semana

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    1. Concordo plenamente!!! Estou relendo para amenizar a saudade desse talento incrível e inesgotável!!! Abraços com carinho e o amor a leitura dessas maravilhas de Adalberto BETANICOU, que está sabe Deus, onde; para tristeza de seus leitores e admiradores como eu!

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  3. Olá, Beto!
    Obrigada pela visita, adorei!
    Gosto muito de sua prosa poética, você sabe disso, eu já disse em outras ocasiões. Parabéns pela inspiração. Aqui você disse tudo:"A chuva que molha é a mesma que lava, a mesma companheira, na dança que minha alma abraça e se eleva."
    Bjs Marli -
    A Dança das Flores

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  4. Chuva. Água. Palavras que nos levam para um imaginário com vários sentidos. Aqui você dança com os pingos e lava-se na chuva que o molha. Um texto cheio de poesia a surpreender e revelar em cada palavra que nada se passa em vão.
    Cuide-se bem.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  5. poem with great descriptions of real world...

    # Have a great day

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  6. Lin do demais,Beto e nenhum pingo nos chega sem algum motivo. Brilhante escrita! abração,chica

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  7. Texto intenso, profundo, que muito me fascinou ler.
    .
    Uma semana feliz … Cumprimentos
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  8. Maravilha poética, meu amigo!
    Tão mágico é o texto, como as belas ilustrações!
    Por aqui só se encontra bom gosto.
    Boa e feliz primavera. Abraço.
    ~~~~~~~~

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  9. Gostei do texto e dad imagems. Muita creatividade no seu jeito de expresar as cousas do nosso día, ou do seu, niste caso.
    Um prazer passar por aqui.

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  10. Um texto em prosa de sublime poesia.
    Os meus aplausos pela sua criatividade e talento.
    Bom fim de semana, caro Beto.
    Abraço.

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  11. Beto,
    Arrasou com esse
    lindo texto!
    Encantada deixo
    Bjins de bom domingo

    CatiahoAlc.
    Do Blog Espelhando
    https://reflexosespelhandoespalhandoamigos.blogspot.com/?m=1

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  12. Bom dia de Domingo, amigo Beto!
    As manhãs são preciosas e nos despertam para a esperança ensolarada.
    Lindas alusões encontro aqui e me enleva à alma.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Abraços fraternos

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  13. Temos todos passado por tempos bem cinzentos, que nos deixaram a braços com as nossas tempestades interiores...
    Uma belíssima prosa poética, que tão bem abordou estas turbulências emocionais que nos têm particularmente acompanhado neste último ano e meio... mas... haverá sempre um céu bem maior do que qualquer nuvem... um dia, esta nebulosidade também passará... e realmente nunca nada acontece por acaso... sairemos bem mais conscientes e resilientes de todo este processo pelo qual passámos...
    Sempre um gosto imenso, apreciar suas publicações de excelência, Beto!
    Beijinhos! Votos de uma feliz e inspirada semana!
    Ana

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  14. Nossa Madre!! que belíssimo texto, meu amigo!

    "A chuva que molha é a mesma que lava, a mesma companheira, na dança que minha alma abraça e se eleva".

    Maravilha, querido Beto. Aplaudo sempre!
    Uma feliz semana, com saúde e paz.
    Beijo, amigo.

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