A vida tem seus encantos diversos:
uns doces, outros amargos,
como chocolates
que viciam
ou enganam o paladar.
Às vezes me debruço
na janela da extinção —
minha imaginação em retorno —
onde uma lembrança se esconde
no canto de uma sala vazia.
Havia o terreiro
com fios estendidos,
onde pendiam cores
que um dia seriam
faixas mortuárias
de uma humanidade tênue.
Havia prateleiras:
umas cheias de sorrisos vazios,
outras transbordando
risos de palhaços
viciados em alegria fabricada.
Era pão
a massa torrada
a enganar a fome.
Era nuvem
a viagem leve
a encher o estômago
de borboletas.
Memórias são transeuntes:
andam soltas,
perambulam no ar.
A vida segue distinta.
Os passos escolhem ruas bifurcadas
para, quem sabe,
se encontrarem,
se calçarem,
se amarrarem
em vivências entrelaçadas.


Memórias que os longos dias da pandemia evocam?
ResponderExcluirPedro, na verdade, esse texto foi escrito em 2019 para fazer parte da coletânea " Humanidade" publicada pela a academia de letras de minha cidade, mas essa pandemia , também traz lembranças de tempos melhores. Grande abraço.
ExcluirMaravilhosas divagações...A vida é mesmo assim..Surpresas doces, alegres, salgadas e de fel... Saibamos cada uma delas vivenciar e continuar a seguir...abração,chica
ResponderExcluirOlá, amigo Betonicou!
ResponderExcluirImpressionante como o poeta transforma a dura realidade em versos, textos poéticos e similares.
Borboletas esvoaçantes pairam no 💙 dos sensíveis, embora vivamos amordaçados pela atualidade dura e petrificante.
Tenha dias abençoados!
Abraços fraternos de paz e bem
Mind blowing post
ResponderExcluirMemórias de objectos, pessoas, afectos e caminhos. Tantas vezes vida, tantas vezes desejo, tantas vezes alegria ou mágoa. Muito belo, o texto.
ResponderExcluirUma boa semana com muita saúde.
Um beijo.
Pensei que o poeta fosse rir com o
ResponderExcluirmeu texto, mas quem acabou rindo fui
eu. Com o comentário é bom que se diga.
Um abraço, meu amigo. Boa noite também.
Belíssimo texto, querido amigo, na verdade tua poesia maravilhosa amenizou um pouco essa vida em que num dia é sofrimento, no outro uma caminhada mais amena; outro frustrações, no outro satisfação e assim segue uma vida nada tão linda, com gente que conhece apenas o sofrimento, a amargura, o desencanto e tanta decepção que vem de tudo que é lado. E não são poucos, basta sairmos na rua que vamos vendo pedaços de sofrimento em cada esquina; mãos estendidas e não atendidas. A vida não se compadece de ninguém, é uma luta diária para boa parte desse planeta conseguir sobreviver. E os mais sortudos, vão levando, foram agraciados, cedo ou tarde resolvem seus problemas, mas também têm lá suas recaídas, assim somos nós, assim é a vida de todos.
ResponderExcluirMaravilhoso texto, Beto! Como sempre.
Um beijo.
Has vuelto con todo Con lo que eres y trasmites. Has dejado al otro atrás para renacer.Me gusta el actual hombre que leo. Me gusta el chocolate orgásmico que me como a diario. Me gustas tu y tus pensamientos alados abrazos siempre Mucha
ResponderExcluirOlá, Beto, gostei muito de ler esse seu prosa poética, com palavras sábias, afeitas à reflexão, donde se extrai beleza e ensinamentos.
ResponderExcluirParabéns!
Um ótimo final de semana, meu caro Beto.
Grande abraço.
Boa tarde Beto. Obrigado por dividir as memórias conosco. E espero que tudo que vivemos ultimamente façam parte da nossa memória e do passado.
ResponderExcluirA vida também é feita de lembranças...
ResponderExcluirMagnífico texto, gostei imenso.
Bom fim de semana, caro Beto.
Abraço.
Perfeito este versos, devaneios.
ResponderExcluirMemorias de um tempo, memórias que se perpetuaram. E no fundo do fundo somos um embornal cheio delas, que vamos contando como as contas de um terço.
ResponderExcluirBeleza de construção amigo.
Abraços
Como se o poeta descrevesse uma crise existencial...
ResponderExcluirNum registo a que não estamos habituados, foi uma ótima participação, bem dentro do tema.
Parabéns pelo bom gosto das ilustrações...
Abraço grande de boa amizade.
~~~
that life.... like ocean...sometimes calm, many times tough ...
ResponderExcluirUm texto magnifico, onde a janela da alma se debruça, sobre vivências presentes e passadas, num desfilar e aguarelar de emoções...
ResponderExcluirMais uma pintura poética, absolutamente maravilhosa, por aqui! Adorei ler!
Beijinho
Ana