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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Sublime© Copyright


Não são falas de dores, são apenas falas levadas pelo ofegar. Se o coração amolece quando o amor lhe é cantado, tudo estremece; seja ar, terra, fogo ou mar. Quando o peito esmorece pela triste paixão que é fugaz, o rio estremece de seus transbordantes despejos e as enxurradas alagam no vermelho barroso de enciumar.

Sentimento, que até o emudecido proclama em agigantadas falas. Guardado em lugar inefável, em um coração por ele todo afagado e diluído. É dilúvio de águas claras, num jorrar de diáfanos desejos. É porta para um jardim singelo, sem as ervas daninhas nascidas dos danosos e lúbricos ensejos.

Não há vento que não se alegre em tocar em brisas mansas esse amor que é flor sem par. Sentir esse mesmo vento que abusado acaricia a pele debaixo de todos nós; andantes varais, abaixo desse amor que é sublime luminar. Não há fogo que mais aqueça a casca morna, em arrepiados e gélidos efeitos. É esse ato tão perene e sereno de amar.

Sim, é o amor, a flor dourada plantada aqui na terra dos mortais. Fiel artífice e provedor das órbitas cintilantes, tal qual o brilhar das estrelas. É lua morna e branco lençol sobre os corpos que, sufocados, ardentes se enrolam no mel refinado em prazer inaudito. Esse amor que enobrece as causas nulas. Doce palavra, que de tanto falar se cala, ante o coração que se acelera em tambores de guerra; indo de encontro a quem tanto ao peito almeja.



Betonicou©



 Arte: Albena Vatcheva