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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Apenas janelas © Copyright


Vejo um final pelas janelas. Vejo as flores de uma aquarela prestes a cair. Vejo o sol da primavera acenando para um outono que, está por perto, está por vir.  Vejo o aceno das cores vermelhas, num início de tarde, após as aquareladas irmãs, num jardim florido de saudade. Vejo a luz, como a luz de velas. Esse é o retorno ao meu juízo final. Não há sol após a primavera, nem outono: há apenas minha era de um tempo todo glacial. Porém, ainda vejo à luz de velas, pelas fechadas janelas das manhãs. Ainda sonho o mar com suas naus de velas, levando minhas lembranças velhas, nas ondas de memorias tão anciãs. E vejo o sol, reduzido, à uma tênue luz singela, trazendo uma tarde. Vejo a despedida em nuvens vermelhas, que de tão belo eu faço alarde. Ainda tem noite de lua, no final da estação de cores, suaves, quentes e belas. Vejo lá no horizonte, raios de sol, surgindo por entre as nuvens, que são mar, avançando feito caravelas. Percebo que: quem se despenca, são sementes, plantadas para as coisas mais singelas.   Vejo ainda pelas janelas, tantas coisas que são belas: um sol com vento, uma tarde, um enluarado beijo, acanhado, nos singelos bancos de capelas.

Betonicou©



Arte: Anna Silivonchik