Candura, beleza, ternura! Onde estás minha
mãe?! Beleza pura, suave e morena, que falta me faz! Herança ébano da mãe
África! Flor de maracujá do Brasil. Beleza marrom. Mistura de orquídea
negra, cravo, margarida e jasmim. Tua voz e teu riso, que falta tu fazes
em mim! Ainda hoje me lembro da canção de ninar. Tua terna voz constante a
chamar: Filho, filho, onde estás? E eu, teu rebento correndo ao encontro
da voz familiar, quando suspenso em teus braços tendo meu rosto beijado vou ao
teu rosto beijar. Sou tua raça forte! Mistura da magia de terras irmãs. Teu
sangue negro, mulato, índio da terra brasis pulsa em mim, em rios
vermelhos carmins. Morena mulata, mulata morena. Mãe linda, suave, serena.
Teu cheiro ainda me lembra um doce aroma, gostoso dos mais puros jardins. Ainda
ouço a terna voz a chamar-me de filho e eu, de chamá-la de mãe. Teu carinho e
eu manhoso, no teu rosto, meu rosto roçar. A leveza do teu beijo, o meu beijo
no teu rosto colar. Ai! -Que falta tu
fazes, minha negra branca, dos sóis girassóis. Cá está teu filho! Quero vós;
colo e afago. Teu amor era sublime amparo. Rever teu rosto, ternura,
mimo, era minha proteção do medo. Quero retorno da felicidade que nesta altura
é meu maior desejo. O que restou, senão minha plena saudade! Do teu
chamego! Teu dengo! Da joia incrustada entre teus lábios! Teu sorriso
brilhante, em moldura rubi! Do teu brilho dourado e sempre fora assim que
te vi. Ouvir teu chamar e revê-la, mais uma vez. Olhar teu olhar, com orgulho e
teu rosto vislumbrar. Minha linda mãe morena mulata! No reencontro, juntos tornar
a sorrir. Mãe e filho, filho e mãe no eterno jardim! Eu sou de você e
você é de mim.
Arte: Di Cavalcante-Cândido Portinare