Páginas

domingo, 19 de maio de 2019

Minha mãe mulata.© Copyright


Candura, beleza, ternura!  Onde estás minha mãe?! Beleza pura, suave e morena, que falta me faz! Herança ébano da mãe África!  Flor de maracujá do Brasil. Beleza marrom. Mistura de orquídea negra, cravo, margarida e jasmim. Tua voz e teu riso, que falta tu fazes em mim! Ainda hoje me lembro da canção de ninar. Tua terna voz constante a chamar: Filho, filho, onde estás? E eu, teu rebento correndo ao encontro da voz familiar, quando suspenso em teus braços tendo meu rosto beijado vou ao teu rosto beijar. Sou tua raça forte! Mistura da magia de terras irmãs. Teu sangue negro, mulato, índio da terra brasis pulsa em mim, em rios vermelhos carmins. Morena mulata, mulata morena. Mãe linda, suave, serena. Teu cheiro ainda me lembra um doce aroma, gostoso dos mais puros jardins. Ainda ouço a terna voz a chamar-me de filho e eu, de chamá-la de mãe. Teu carinho e eu manhoso, no teu rosto, meu rosto roçar. A leveza do teu beijo, o meu beijo no teu rosto colar.  Ai! -Que falta tu fazes, minha negra branca, dos sóis girassóis. Cá está teu filho! Quero vós; colo e afago.  Teu amor era sublime amparo. Rever teu rosto, ternura, mimo, era minha proteção do medo. Quero retorno da felicidade que nesta altura é meu maior desejo. O que restou, senão minha plena saudade!  Do teu chamego! Teu dengo! Da joia incrustada entre teus lábios! Teu sorriso brilhante, em moldura rubi! Do teu brilho dourado e sempre fora assim que te vi. Ouvir teu chamar e revê-la, mais uma vez. Olhar teu olhar, com orgulho e teu rosto vislumbrar. Minha linda mãe morena mulata! No reencontro, juntos tornar a sorrir. Mãe e filho, filho e mãe no eterno jardim! Eu sou de você e você é de mim.


by betonicou


Arte: Di Cavalcante-Cândido Portinare