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sábado, 16 de março de 2019

Equilibrio © Copyright



Amanheceu tão solar. As tardes ficam à espreita e as noites, com certeza, conseguem me encontrar. Os varais estão cansados das roupas sujas dos quintais. As chuvas se derramam, molhando o que era seco, sem juízo e sem sinais.


Entardeceram as lembranças que nem mesmo eu preciso repensar. Relembrar as cenas sem sentido, sem rosto, com máscaras, que das memórias não consigo mais tirar. É o mar! São esses os rios calados do meu interno desespero. São as margens despreparadas para apoiar meu transbordante destempero. Os meus lares são tão bonitos que acalmam os caminhos dessa trama. O dia vem todo com juízo, que seca, ilumina e apazigua com águas claras todo esse drama.


As margens estão caladas, com seus riachos calmos e brisas a lhe acalentarem a face açoitada. Os olhos estão multicores, com as cores das flores, a lhes emprestarem o jardim para a alma agora acalentada. O orvalho cai, antagônico, às tempestades dos dias, tardes e noites de expressões tumultuadas. O sossego refresca a alma, atada em redes numa árvore do arvoredo, com o ar carregado do leve e açucarado odor dos roseirais. Amanheceu ensolarado, mas entardeceu, com o sol se pondo, enquanto a noite nos espreitava e nos emprestava um sono, na paz, em meio aos temporais.

Betonicou©

 
Arte:Anna Silivonchik