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domingo, 20 de janeiro de 2019

Samba ,suor e canela © Copyright


Da janela, avista-se chovendo,
 cachoeiras de lágrimas
 imaculadas.
Contempla-se a maravilha molhada
 da mulata.
Quando os pingos batem no chão,
 viram flor.
Observam-se as pernas da menina
 enlameadas e no rosto um sorriso
 emanando todo frescor.
Sua veste desfigurada, toda
 colorida, rodopiava em uma dança
 de chuva que à alma toda lavava.
Trazia no corpo as ondas que tudo
 sambavam e o tempo todo, tudo à
 sua volta de alegria pulava.
Os pingos formavam as enxurradas
 e seu corpo de terra tinha as
 tranças desfeitas que
 serpenteavam, todas molhadas.
Morena do campo, desabrochando
 feito flor.
Pela janela, sinto o vento!
Vi correndo, a mulata assanhada e
 seus quadris de sambar rebolavam,
 trazendo ao meu peito um bater de
 tambor.
E a inocência desequilibrada
 ofegava, de tanto que saltitava o
 meu peito, que precisava se
 conter, de tanto ansiar o corpo
 molhado e o seu acanelado odor.
Querendo sambar, seus panos
 abriram-se num descortinar de
 cortinas, deixando à mostra todo
 aquele céu das meninas.
Milhões de orvalhos chamando sem parar!
De tanto que meus olhos olharam
 essa maravilha, vejo a pura
 inocência quase tímida, a
 brilhar!
E da janela, vou vivendo
 aquarelas de visões.
Ela vem toda suada, toda
 misturada com aquela chuva,
 trazendo um sambar dos furacões.
Saio lá fora e vou correndo para
 abraçar a deusa molhada, com seus
 trajes desfigurados.
Que coisa linda essa rainha das
 sensações!
Agora sem timidez, toda
 assanhada, rodopiava e, me
 abraçando, desarmava meus já
 descasados botões.

 

Betonicou©

 By betonicou 
Arte: R.Paschoal