Levantar bem cedo e viajar até o
renascer. Entregar à vida um novo começo. Avistar pela janela o ano dourado que
se aproxima. No fim da estrada, um cuidado, um recomeço.
As estrelas cintilam, até o sol
forte ressurgir. A noite vai dormindo, com a lua a acariciar. De manhã, o sol
desponta e os passos se aproximam. É a janela por onde se vê o janeiro renascer.
E outra vez a vida tem endereço.
Sobre o parapeito se acena ao ano que vem. O adeus por detrás não vejo, mas
saudade ou não, bem sei que conheço.
Ouço sinos leves que anunciam o
vento novo. E uma brisa leve vem nos abraçar. Sobre a janela vejo o amanhã que
nasce, e um pouco mais: os orvalhos quentes que nos elevam.
É chegado o fim de um ano que
esperou o seu surgir. Vem o tempo com novo endereço de começo. É esperança soprada
por um anjo, é toda a paz que desejo. É janeiro que bem mereço.