São ruas feitas de pó, mas são sementes de sol. São as tardes
tão festeiras de danças e tem campos de girassol. São da terra os que nascem
neste chão de ribeiras. São águas claras, são colinas verdes, íngremes
ribanceiras. Eu, nesse recanto, crio versos onde sonho os
meus cantos. Vejo a luz refletida nessas águas e, então, vejo-me em
singelos e ternos encantos.
São ribeirinhos contentes, são festeiros, essa gente que
nos ensinam que a vida requer apenas viver e semear e que o pão pode ser
colhido num bordado de roda de tear. Vejo a luz no horizonte onde se
avermelha um sol. Vejo estrelas, que despontam, num cintilar docemente.
Vejo as terras onde nascem os fios das águas de um rio; antes imponente. E
eu nessa terra molhada pelas lágrimas, antes de encantos naturais, vejo as
crias, que são esses: filhos, ainda dançantes das gerais.
É um sonho esse chão onde se semeia nosso pão. Esse trigo dos
versos que se cantam em oração. E ao longe, vejo um cavalo e suas
patas dançam os versos das pessoas campeiras. Solto e salto de
minhas altas amarras, num voo livre de aves ligeiras onde rasgo num
sonho esse ar, ainda límpido das matas feitas capoeiras.
Crio versos, onde sonho a saudade e essa ainda é livre; ainda
que escravizadas as matas mineiras.
São os sonhos de então,
numa razão de solidão, onde lancei as minhas preces num bradar alto de
desespero, em forma de oração. São meus sonhos feitos fumaça onde
se dissipam em destempero, ao olhar as vestes verdes desta linda
terra sumirem em tolo exagero! Porém, ainda planto as flores no ermo
da solidão e as rego com lágrimas de sofreguidão. Ainda sonho a poesia desta
terra e canto uma saudade desde então. Minhas lembranças ainda me
fazem sonhar toda a esperança! Ainda sonho que tudo é bonito,
feito dias de chão de criança