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sábado, 25 de agosto de 2018

Irreal e solido © Copyright



Vejo esse quadro num todo geral. Vejo uma sala e vejo um quarto onde quero dormir. Vejo um voejar nesse meu ar escuro. Vejo um andar de montanha-russa e vejo um passar de minha história nesse espaço de descansar e de sentir. Nesse lugar, antes do despertar matinal, pinto as imagens que são para relembrar as minhas aventuras de dormir. Pinto a gaiola com seu homem-pássaro, que é para recordar que todo o sonho é fácil; até o de prender aquele pássaro e negar o seu voar nesse espaço de poder ir e vir. Sou passageiro do real, porém, trafego em todo esse ar das coisas não naturais. Sou o homem sem seu ar de glória e sou aquele sujeito que pintou a sua história nas paredes do seu quarto; que é para evocar e refletir. Quem ler, não deve acreditar ou desacreditar, pois são fatos desse meu mundo real ou transcendental. Quem ver pode acreditar, pois esse é o meu jeito de ver e sentir; bem natural. Vejo aquela janela matinal, por onde avisto aquele horizonte, por onde o sol desponta. Vejo, lá no longe, onde ficou toda aquela prosa. Vejo olhares incertos. Não sei se são simpáticos ou são apáticos, porém, isso ninguém me conta. Vejo aquele pássaro livre da gaiola, mas, com seus voos nada práticos, porém, simpáticos; isso, também ninguém me conta. Vejo o voejar livre da gaiola, mas, às vezes, não são voos práticos. Vejo que sente falta de seu cárcere, pois aquela prisão era o seu quarto de sonos plácidos. A liberdade, às vezes, é um cárcere de tijolos sólidos, num voo sem rumo e sem sinal. Tudo vejo no momento escuro dos olhos. As clarezas dos olhos claros dormem esse sono atemporal, naquele espaço de fluir.



Betonicou©

 Arte:Marina Chaykovskaya & Madam.pl