Ontem eu vi e fiz o que sempre
quis: Um pássaro beijando a flor, um beijo declarando amor e olhos deitados
contemplando o céu. Vi fugaz a nave voando no ar azul e contemplei o que os
lábios sentiram muito bem: um beijo que durava mais, o rodopiar do voar de uma flor,
e o gosto que durava muito além!
Tudo eu quis do que sempre vi:
Um jardim para plantar amor, o beijo delicado do beija-flor na flor que
guardava mel. Vi chegando as saias que
rodopiavam muito mais e vi estrelas nesse mar de céu. Senti também o gosto
do que quero, até demais; no embalar no barco do amor, da flor que chamo de meu
bem.
Sempre quis nessa doce ciranda poder brincar, mesmo nos dias que a chuva pingava
fel. Sempre quis a flor de todos os roseirais e como orvalho quis refrescar
mais e mais; voar nos lábios que guardavam mel. sempre quis ir um pouco mais além, às vezes, seduzir sem pudor, perguntando: o que é que tem?