Trago no peito:
uma flor de
lapela,
uma gravata sem nó,
um enfeite, um
cristal,
e uma pérola.
Trago um cravo,
uma rosa
escondida,
um perfume, e um
espinho vivo na
ferida.
No
coração: a batida,
um olhar pela
janela,
uma breve
oração,
uma fé de capela.
Trago no peito
as marcas de amor,
mas trago a felicidade,
contida, sem causa
de dor.
Trago junto ao corpo
uma sombra que me segue.
Trago uma sombra ,
uma sina, que me persegue.
Uma luz, uma vontade
singela, uma chama,
um ardor de pingo de
cera de vela.
Trago os contrastes
que nos regem a vida
inteira:
o suor da vida corrida,
o sossego de vida solteira.
O calor do verão que
pede o frio de inverno e,
o frio ,que pede aconchego
materno.
O suor e o calafrio
dos tempos modernos.
Trago o choro, mas
esboço sorrisos sempre
singelos.
Betonicou©