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curvas, retas e esquinas

domingo, 1 de março de 2020

Amor de Ícaro © Copyright


Há sinfonias na alma. Há ainda murmúrios de notas tristes onde o coração esqueceu de desatar aquele abraço. Há uma pedra e ainda há um laço. O riacho tocou em notas molhadas e o som, era como pingos a caírem dos olhos, conforme eu, era mar de amar, que de tão intenso escondia em mim uma paz submersa.  Haviam duas luas azuis em meu mundo interno, e elas caíram em meu jardim para brotarem em margaridas, que desapegadas do solo voaram para longe do meu canteiro. Há um campo onde as águas desabaram descalçando as trilhas de suas pedras. Um prado que se abriu em porta para uma nova história e onde, há de brotar novos ventos e outros rumos; pois as margaridas voam para beijar a lua, enquanto eu, de alma volátil, teimo em corteja-la; voando e dançando junto às estrelas.
By betonicou
Arte: Gabriel Pacheco




domingo, 26 de janeiro de 2020

voante © Copyright


São as borboletas, seres voantes, flores aéreas, sensações do meu amor. Dentro do peito a chuva cai em lembranças; fortes batidas de tambor. Os pingos d’agua é musical do infinito e se não caírem perto de mim eu grito, pois dentro do peito o coração diz como eu sou e, para onde vou.


 Emoções nuas são flores cruas, que desabrocham de encontro ao calor. Sobem ao céu onde apontam e desenham cenas suas no gás branco sedutor. É ponte aérea para o paraíso, longe do finito, do chão que sofro, do riso souto em delírios; são asas desse meu ser livre, por onde eu for; seja como for.   

E as borboletas esvoaçam liberdade sua, num vestido rodado, colorido e sedutor. Você é luar, é estrada não errante, para o meu coração; casa sua, meu amor. Meus pensamentos viajam para um universo escondido, onde não cabe meu juízo. céu de estrelas, onde sempre beijar eu vou; ah, se vou!

 São aquarelas, voantes, não errantes, num ar sagrado, orvalhado, sem pudor! São borboletas, coloridas ninfas a sussurrarem, a mim um pecador.  Pele branca de nuvens claras, pétalas vermelhas de beijarem meu sorriso! Se eu humilde danço seus beijos e existo: é paraíso onde estou; nessa flor, amor.

By betonicou

Arte:   Peter Mitchev -











sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Sensações © Copyright






Tenho gosto pra brincar do que existe no dia a dia; vez ou outra, o que não quero; responsáveis ou casuais. São as coisas preferidas: rosas e minhas joias margaridas. Sou humano e, até fantasio momentos sensuais. Vejo e deslumbro à luz do dia, sem melancolia das coisas de instantes e, vou compondo itinerante, cantando ou assobiando; tal qual passarinho em gorjeios de pardais.

Tenho gosto por coisas leves: tal qual me agarrar aos ventos. Liberdade voada e abençoada pelas luzes constantes; belas, brilhantes e pulsantes brilhos astrais. Sou passageiro leve misturado àquela brisa e minhas cenas preferidas são as nuvens onde pouso meus sonhares surreais. São assim os meus gostos por minhas coisas tão queridas: nas noites frias ou nos meus instantes calorosos matinais.

Sou pequeno voante, pássaro sem dono feito de asas da brisa de um dia. Respiro poesia e até imagino cenas acentuadas colossais. Faço tudo por gosto e suspiro nas melodias, que me lembram belos afáveis amores ou cegueiras delirantes ocasionais. Faço apenas alegorias dos momentos lancinantes, pois trago no peito as ternuras tão marcantes e, para sempre: marcas amorosas maternais. 
By betonicou 
Arte:Lucy Campbell - Ines Vilt

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Farol © Copyright




Os anjos visitaram a terra e, as estrelas brilharam nossos olhos com a felicidade. A esperança pousou; feito corpo de inocência, a nos presentear com o futuro da vida. Nasceriam flores onde os pés santos tocariam apenas com a leveza de sua sombra. Assim surgiu e foi mostrada a esperança para o mundo; anunciada pelo cometa que passeava exuberante de alegria sobre a esplendente luz   venerável e celeste. Eram os joelhos levados ao solo, naquele ato de reverenciar: a paz que nasceu e fora acomodada no rustico da humildade. Os passarinhos cantavam em coro com as cornetas que anunciavam do céu sagrado. Os vaga-lumes iluminavam a cena inusitada, num cintilar de pequenas e voantes estrelas terrestres. Dançavam as estrelas num sublime ato de pulsar delicado as suas luzes, perante o brilhar, que pousou sossegado do ventre de fragilidade. Às ovelhas, que antes eram pastores foram lhes dado o presenciar do milagre original pousado sobre o solo de seus pastos, conforme   os reis agora súditos, lhe traziam os presentes que suas almas cultivaram e fizeram brotar de seus sábios e receptivos corações. Mãe e Pai festejavam, em rojões de explosões de ternuras; alegravam-se, à medida, em que o sorriso singelo lhes tocava a face da alma. Assim nascia a paz, que era brisa compadecida, a refrigerar todo o calor do abandono. Assim nascia a perspectiva, para o sossegar; feito facho de brilho resplandecente, a nos indicar o caminho, para fora da solidão esquecida numa sala escura do universo.  

 By betonicou
Arte :J. Kirk Richards
 A todos os amigos e companheiros desejo um feliz natal!  Nesse realizei um sonho: o de escrever sobre o nascimento de Jesus. A Deus toda a glória! 

domingo, 15 de dezembro de 2019

Valsa da inocência © Copyright


Quero brincar de roda, num bailar frenético, dançar incerto ou certo, pelas estradas, trilhas e afins. Quero cantar ao ar, nesse mar de luzes, pela madrugada, frio asfalto, terra ou nas calçadas, longe das amarras que são tão ruins. Andar num valsar atempo, num findar de tempo, me envolvendo alegre, ou tolo; eu só queria assim. Quero dançar amar, como mar me envolvendo aos poucos, sob o luar a céu aberto que abençoa sobre mim. Quero essa alegria reprimida, dançar aos poucos, juntos às folhas, num valsar ao vento.  Quero dançarina proclamada, escrita em versos... ah, dançar num todo e alegre tempo! Quero a liberdade aclamada, uma alegria jorrada de sentimento, uma paz anunciada e estampada no findar do dia. Um valsar de pressentimentos leves para um amanhã de conforto, uma brisa a trazer no rosto a alegria de uma paz que se repetia. Dançar teimoso, é rodopiar ciranda; tal qual criança alegre que nunca se ressentia.

By betonicou
Arte:by - Émili  Coué

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Aurora © Copyright





  

—Terra, doce terra dos diáfanos rios!
—Voejou minha inocência em asas brancas de coruja, para ser sábio de pureza pousada no mar também deitado em furiosas ondas impertinentes sobre o teu seio desgastado da paz e da beleza ansiada pelo meu espírito soprado para um ventre de dourados portões. Pasmo, gritei e chorei dependurado enquanto o sorriso se abria soprando o vento materno aos meus sentidos carentes de juízos.  Oh terra, dos doces e imarcescíveis abraços do ninho que se desfez ante os implacáveis ventos do tempo!  As tempestades sopraram seus acordes, num musicar rude, conforme a vida passeava como brisa tênue, feitas de moinhos de vento. Tão ingênua, delicada e ao mesmo tempo forte, é a vida, a vivenciar anjos e dragões; experientes e envolventes sopradores, além de exímios navegantes do ar. Eu limitado sob pernas trêmulas, apenas avanço, num cansaço de vida inalando o perfume e a contemplar a beleza das flores singelas, enquanto eles os voantes plantavam suas sementes nos frondosos campos de girassóis. Não haveria de lhes faltar farol, ou apenas seria aquele ato, uma suposta tentativa de nos presentear ou tentar com a inveja, ou de nos confortar com um campo de acenos alaranjados e celestes.  Ah terra, que tem meus pés como açoites, porém mais leves que os raios com seus gritos trovejantes a lhe ensurdecer e a mim, com gritantes conflitos! Sobre ti saciava minha fome de suas delicias, porém o mar de agruras envolveu-me de vermelhos e lamacentos lençóis.  Sou a vida que caminha injustiçada numa antes florada primavera. O inverno chegou distribuindo corações de gelo, e o fogo se fez tomador do presente e esse acenava em cinzas minhas belas e singelas lembranças. As nuvens se enegreceram em suas alvas e gasosas inocências e o céu de safira se fez carvão ante os dedos da ambição que lhe tateou e atravessou tocando e encobrindo o cintilar de suas estrelas. Minha humanidade divaga desajustada entre os sonhos e pesadelos, porém são os pássaros quem me emprestam seus gravetados ninhos e asas multicores para meu conforto de sono. Quisera eu, em minha delicada humanidade ter as asas dos seres voantes, para voltar ao ninho celestial do meu espirito viajante.

—Indagações e divagações! Surgia a vida da água morna onde os pequenos riachos em volta eram vermelhos feitos cor de uma rosa e o ar impregnado de jasmins. Ouvia-se o batuque de tambor. Imaginava-se eu, já naquele dilúculo tempo, um ser esperado com o fragor da ansiedade. Eram borboletas felizes aqueles olhos a chorar casulos brilhantes o surgir de minha luz. Era mãe, uma docilidade de beija-flor, a acolher-me em sua confortável ternura. Havia se passado os dias, pois criança mede o tempo em instantes de brincadeiras e o tempo maduro chamou seus serviçais para colherem o fruto que teimava em permanecer no verde dos figos. Assim foram surgindo as questões sobre a alegria singela, que fora enclausurada e presa em grilhões de responsabilidades. Vez ou outra fugia, para brincar uma inocência teimosa, pois criança não morre; fica presa numa gaiola de eternos  passarinhos.  
 By betonicou

Arte: Marina Czajkowska -Now Ru

Texto escrito especialmente para a antologia poética " Humanidade, a ser publicada em abril de 2020 pela: ACADEMIA DE LETRAS DE SANTA LUZIA (ALUZ). Peço desculpas por minha ausência um pouco prolongada.  Fim de ano e por consequência , muito trabalho. Tem dia que chego em casa e a única coisa que me  vem à cabeça é : jantar e dormir , de tanto cansaço.  A vida atrás da telinha , para muitos que ainda lidam com a labuta, não é nada facil. Obrigado a todos que me dispensam enorme carinho.

domingo, 27 de outubro de 2019

Acanhados © Copyright


Se serenasse na primavera de um amor e cantasse como ondas que anunciassem o mar: ilustrar-se-ia, o cenário, como quem pinta o céu, ante a luz que lhe apontasse para aportar. Se desenhasse o farol que apontasse ondas amenas num porto de calmarias: visualizar-se-ia terra fértil para brotos de ternas alegrias.

Caso ali a flor brotasse e se esvoaçasse, feita pétalas de beija-flor, em qualquer lugar que ali plantasse: germinar-se-ia em broto, feita flor; polinizada amante, rosa decorosa que se faria corada; quem diria! Seria luz brilhante, rubro diamante, menina flor que ali brotou; seria graça de sagradas pétalas de romaria.


Brincar-se-ia uma guerra de lençóis de brisa, onde o amor sopraria asas de um respirar frenético. Teria pele, feito cobertor, e o suor, orvalho de um amor não cético. Orvalhar-se-iam, numa alegria ousada de cabaré! Seriam amantes: Jardineiro e flor; flutuantes ondas eriçadas, ou trazidas ternuras de uma maré. By betonicou
Arte: Peter Mitchef