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curvas, retas e esquinas

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

De dezembro, a janeiro© Copyright




Levantar bem cedo e viajar até o renascer. Entregar à vida um começo. Avistar bem cedo e ver pelas janelas ressurgir, um ano dourado aproximando. No fim da estrada: um cuidado, um recomeço.


As estrelas cintilam, até o dia forte ressurgir.  A noite vai dormindo, com o brilhar da lua acariciando.  De manhã o sol desponta e os passos mesmo que leves vão, de novo se aproximando.

É a janela, por onde se avista o janeiro renascer e outra vez, a vida tem endereço. Sobre o parapeito se acena ao ano prestes a ressurgir e o adeus por detrás não vejo, mas saudade ou não;  bem sei que conheço.

Ouço sinos leves que anunciam o vento novo a nascer e uma brisa leve vem, nos acariciando. Sobre a janela vejo, o amanhã que vem nascendo e um pouco mais, os orvalhos quentes que vão nos elevando.

É chegado, o fim de um ano que teve esperado o seu surgir. Vem o tempo, com novo endereço de começo. É esperança soprada por um anjo. É toda, a paz que meu ansiar deseja; é janeiro que bem mereço. 
by betonicou- Arte:Artista Andrey Mashanov

domingo, 16 de dezembro de 2018

leveza,leveza © Copyright


Quero andar no caminho e chegar às margens de um rio limpinho. Sempre procurar uma flor para plantar nos meus sertões em desalinho. Quero ouvir uma canção bem singela e ouvir o gorjeio de tônicas leves, de passarinhos. Ter alma leve e dançar nos terreiros de ribeirinhos; numa vida tão singela onde desabrocham, as flores e frutos dos espinhos. Voar o voo dos pardais e viver a vida simples, dos calmos moradores dos quintais. Quero esperar, para os meus caminhos os sinais. Quero andar sossegado nessas margens onde encosto meus rios. Deixar para trás, a poeira de todos meus desafios. Quero a música leve, dos habitantes dos matagais. Quero sentir a emoção dos sons singelos e orquestrais. Quero sentir sempre, o cheiro do frescor de todas as manhãs! Sabor café, canela, os pingos de orvalho nas hortelãs. Sempre chego sonambulo, nesse sonho que verte as águas do meu rio. Sempre me entrego, às cores deste meu mundo real e às vezes fictício; e quero abrir os olhos e visualizar, a beleza aberta das frutas das romãs. Eu queria, os pensamentos singelos e a conversa descomplicada fora do leito dos divãs. E se acaso retornar aos rios caudalosos e perigosos dos temporais; eu quero o cheiro singelo e doce, das flores lindas de maçãs. Quero acordar-me por inteiro, com o cheiro de terra molhada, com o perfume doce dos lindos roseirais. Querer o sabor doce das frutas, da leveza das avelãs! Ser singelo e sereno, no olhar de minhas duas estrelas irmãs.
by Betonicou



 Arte:judith clay



Desejo a todos os meus amigos, muita leveza e um feliz natal!




terça-feira, 13 de novembro de 2018

Desejosa despedida© Copyright



Tudo tem seu tom e tem, as cores com seus tons tão raros. As rosas brincavam sob a chuva. Tão viçosas   eram, as rosas de vermelhos claros. As flores cobriram o meu céu com suas asas de ares perfumados. Pousaram silenciosas, as pétalas nesse campo de jardins de orvalhos e delicados. As vozes gritam, e eu mudo quero gritar também, e dizer que estou amando.  Tudo flutuava, em águas claras que levaram tudo embora e eu de cabeça fora gritava: estou chegando!

O céu era azul e às vezes escuro, com seu brilhante luminar dos amantes. As brisas acariciavam enquanto no colo, eu dormia um sonhar naquele mar de amor, das calmas ondas da paz dos navegantes. Era tempo de rir e sonhar os momentos extremamente válidos. A roupas que vestiam eram as mesmas da nudez dos instantes cálidos.  A vida é assim: tempestades de gritos dos sufocados.  O coração suporta, para o amanhã dos ares cristalinos, calmos e sossegados.

Tudo lá fora grita o abandono, mas são supostos acenos despedidos. As nuvens desenham os meus caminhos e o céu desaba meus tolos sonhos diluídos. A terra abraça os meus beijos e brota tudo, em flores de outono. Despencam sossegadas, as folhas de meu desejoso abandono. São caminhos escolhidos e os olhares para trás já não são ações e pensamentos validos. O horizonte abraça os meus desejos de caminhar também, e eu todo solto digo: está tudo bem. 



 by betonicou 
Arte: Adiian Maco & Peter Adderley 

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Desertos de Minas © Copyright


Desertos de Minas
São ruas feitas de pó, mas são sementes de sol. São as tardes tão festeiras de danças e tem campos de girassol. São da terra: os que nascem neste chão de ribeiras. São águas claras, são colinas verdes, íngremes ribanceiras.  Eu nesse recanto crio versos onde sonho os meus cantos. Vejo a luz refletida nessas águas e então vejo-me, em singelos e ternos encantos.


São ribeirinhos contentes, são festeiros, essa gente que nos ensinam, que a vida requer apenas viver e semear e que o pão pode ser colhido num bordado de roda de tear. Vejo a luz no horizonte onde se avermelha um sol. Vejo estrelas, que despontam, num cintilar docemente. Vejo as terras onde nascem os fios das águas de um rio; antes imponente. E eu nessa terra molhada pelas lágrimas antes de encantos naturais vejo as crias, que são esses:   filhos, ainda dançantes das gerais.


É um sonho esse chão onde se semeia nosso pão. Esse trigo dos versos, que se cantam em oração. E ao longe vejo um cavalo e suas patas dançam os versos das pessoas campeiras. Solto e salto de minhas altas amarras, num voo livre de aves ligeiras onde rasgo num sonho esse ar, ainda límpido das matas feitas capoeiras. Crio versos, onde sonho a saudade, e essa ainda é livre; ainda que escravizadas, as matas   mineiras.


São os sonhos de então, numa razão de solidão, onde lancei as minhas preces, num bradar alto de desespero, em forma de oração. São meus sonhos feitos fumaça onde se dissipam em destempero, ao olhar as vestes verdes desta linda terra sumirem em tolo exagero!  Porém, ainda planto as flores no ermo da solidão e as rego com lagrimas de sofreguidão. Ainda sonho a poesia desta terra e canto uma saudade; desde então.  Minhas lembranças, ainda me fazem sonhar toda a esperança! Ainda sonho que tudo é bonito, feito dias de chão de criança.


 





by betonicou 
Arte : Ciro Fernandes

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Espelhos horizontais © Copyright


Fui visitar a lua fria, nos longínquos estelares. Anjos voaram ante minha face, no meu viajar lisérgico pelos mares desses ares. Vi os que vivem fora do mundo e quase sempre, os abaixo das nuvens repletas de suas singelas chuvas ou tempestades. E vi subirem o revoar saudável ou insano, das afiadas e não menos, belas plumagens. Voejavam, ao senhor das sublimidades.

Toquei o orvalho, bem antes de cair sobre mim! Voei nas chuvas, rumo as flores de todos os lares.  Subi com as preces que diziam tudo sobre mim, e ai de mim sem meus ombros; os poleiros das asas claras, dos seres espetaculares. O mundo abaixo brilhava suas luzes, ao redor de suas estradas do acaso. Acaso seria eu, um dos ventos a tocar, as coisas infinitas ou seculares?!

Ai de mim nesse chão de espelhos, por onde vejo a lua, e a noite com seus pingos de claridade. Por onde, os caminhos da face encontram os joelhos, num tino de sossego, todo revestido de prece da humildade. Nas poças d'águas entrei e viajei, para o além daquele refletido caminho imaginado. A lua deitada sob mim vigiava, aquele meu sonho; eu delirante e acordado.





by betonicou


Arte:Marina Czajkowska


sábado, 25 de agosto de 2018

Irreal e solido © Copyright



Vejo esse quadro, num todo geral. Vejo uma sala, e vejo um quarto onde quero dormir. Vejo um voejar nesse meu ar escuro. Vejo um andar de montanha russa, e vejo um passar de minha história, nesse espaço de descansar e de sentir. Nesse lugar, antes do despertar matinal pinto as imagens que são para relembrar as minhas aventuras de dormir. Pinto a gaiola com seu homem pássaro, que é para recordar que todo o sonho é fácil; até o de prender aquele pássaro e negar o seu voar nesse espaço, de poder ir e vir. Sou passageiro do real, porém trafego, em todo esse ar das coisas não naturais. Sou o homem sem seu ar de gloria, e sou aquele sujeito que pintou a sua história nas paredes do seu quarto; que é para evocar e refletir.  Quem ler, não deve acreditar ou desacreditar, pois são fatos, desse meu mundo real ou transcendental.  Quem ver pode acreditar, pois esse, é o meu jeito de ver e sentir; bem natural. Vejo aquela Janela matinal, por onde avisto aquele horizonte, por onde o sol desponta. Vejo lá no longe, onde ficou toda aquela prosa. Vejo olhares incertos, e   não sei se são simpáticos ou se são apáticos, porém isso ninguém me conta. Vejo aquele pássaro livre da gaiola, mas com seus voos nada práticos, porém simpáticos; isso, também ninguém me conta. Vejo o voejar livre da gaiola, mas às vezes, não são voos práticos. Vejo que sente falta de seu cárcere, pois aquela prisão, era o seu quarto de sonos plácidos. A liberdade,  às vezes é um cárcere de tijolos sólidos, num voo sem rumo e sem sinal. Tudo vejo, no momento escuro dos olhos. As clarezas dos olhos claros dormem esse sono atemporal, naquele espaço de fluir.


 by betonicou
 Arte:Marina Chaykovskaya & Madam.pl

























sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Sossego © Copyright

E tudo em volta florescia; até os brancos em lírios do pecado, meu amor. E tinha a calmaria do anoitecer e do amanhecer. Tinha as estrelas que cintilavam o acontecer, e o sol acenando no horizonte, com raios, feito flor.

Sim! — Tinham os acenos, mas não eram de fazer saudade. Tinham os cantos dos jardins, bem ali, no quintal de minha mocidade.  Tinham as águas calmas das torneiras de minhas preces, e no ar, a voz de minhas ternas felicidades.  

Lá naquele mundo é sagrado: as vertentes das águas calmas, da alma que orvalha, noite e dia. Há aquele jardim todo santificado; com o amor das azaleias, das rosas, e das tantas outras formosas e singelas perfumarias.  


Lá o vento ecoava calmo pelas vias das minhas narinas, e tinha o vale de minhas ternas brincadeiras, que era sagrado, às minhas verdes retinas. Lá onde mora a primavera, e todas sementes molhadas de águas cristalinas. 


  by betonicou
Arte:Anna Silivonchik