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curvas, retas e esquinas

segunda-feira, 19 de março de 2018

Ruas © Copyright





Saia às tardes, e era apenas mais um vulto. Saia entre os alegres, ou entre as pranteadeiras de um sossegado morto.  E era o sol poente, a luz daqueles versos que nos preparam para a noite e sua chegada.  A lua que aponta, com suas estrelas de festas de rojões no céu celebrando a boemia da frequentada madrugada. Saia no bloco dos ausentes, e a chuva que chegou junto fazia dançar um pouco mais, os sempre mais contentes. Saia sobre as marquises, e ao lado das propagandas convincentes andava sobre as calçadas, entre o sufoco de todas as gentes. Lá estava a dama de um convento, e era a estrela tão procurada para o meu sufoco.  Saia na vida, feito   alma desgastada, e fugia do que ressentia; fugia de tudo um pouco. Passeie sob nuvens, e um sol todo descontente que evaporava, de luto pelo findar do dia. Eu vi a esperança no cometa, que de tão servil levou Clarisse e Maria. Levou e arrastou nas celestes enxurradas, todos os gritos que o silencio ouviu e assistiu. Pensei num passeio, não tão comumente, e não apenas sair tão dissidente, à espera de topar com quem não me viu.  Dançar na chuva com o chapéu molhado e torto, e me encharcar de tudo um pouco, de tudo que a tarde, do escuro se vestiu.  Sentei, e no mata borrão desenhei as vias tão torturadas. Escrevi sob as estrelas as letras tão procuradas, e desenhei lembranças. Moram nas ruas, todas as coisas mil! O medicante enclausurado em seu estado civil, com um cão que é seu conforto. O sabe tudo, que de tudo é um pouco, até um simpático louco! Saia as tardes querendo noite, longe das as saias da mãe gentil. Saia, de olhar tão torto, que nem vi quem se foi, ou quem de mim se despediu.


by beto nicou
Arte: le Giorgini


quarta-feira, 7 de março de 2018

Inocente juventude © Copyright

Roupas vermelhas, brancas, quentes ou frias, são minhas fantasias. Pele clara ou pele escura, são às vezes, coleiras para as almas coloridas. Ao adentrar de novo nessa estrada com minhas roupas desbotadas e sujas desse vermelho das ruas cruas, por onde teimei andar. Cada estrada é um destino de fantasias. Em cada fantasia um desatino. Estes, são os fantásticos contos de menino! Até voar voei com asas de aquarelas, por entre as coloridas cenas dos varais, com roupas, avistadas de minhas janelas. Eu mereço as fantasias das minhas visões, todas figuradas!  Eu destaco os voos nas costas da minha amiga ave magica; visões imaginadas. Num tempo magico de juventude inocência, ainda se vê em clarividência. Nos meus sonhos, as ficções são realçadas, e minha pele clara com pele escura, são minhas misturas de vidas sortidas.  Nesta vida, de vida ou morte sou uma janela de vidas, muitas vezes refletidas! Até vi minha alma embarcada nas águas imaginarias, e a esperança, era a vela que segurava os ventos e conduzia às praias desejadas. Eu nasci das águas claras, feito peixe de rios. Transbordei da paciência, que de tanto amor chorei, mas depois me descansei  nas mãos macias dos lírios. Eu sonhei tudo imaginado, com a Inocência resgatada,  e tudo o que a alma pôde segurar....  Tudo que pude respirar e aspirar.




by betonicou 

 arte:вода рисунки e moebius fumetti


















domingo, 11 de fevereiro de 2018

Suspiro © Copyright


É a vida, e´ a vida, essa sentida saudade que é espinho em minhas feridas escondidas. Amores, amores, meus cravos de dores. Sonhar, sonhar, meu escape para esses momentos sem cores. É riso, ou o suor de meus sonhos de toda lembrança feliz, mas nada leve. Foi alegria tão ditosa, que vivo a divagar a ternura que este mundo levou, e que agora me deve. É romaria, nessa travessia que a alma tanto esse fogo carrega. São os sonhares de todas as cenas gravadas, e que aos meus sentidos a saudade generosa, rude ou não, me entrega. É a vida, e´ a vida, é suor, e´ a mais crua sinalização de alerta. É a falta do que era belo, e´ desespero. É o sentimento que guardo com todas as rimas, e também, com todo destempero.  É a ida que nos leva junto, e nos rouba uma fragilizada alegria. É o vazio, sempre em sinal de alerta. Se bendito, não importa a ida, pois mesmo sofrido meu coração se liberta. Adeus, Adeus! A alma sempre grita aos acenos tristes, debruçada nas toscas paisagens das janelas. São as pétalas que se separam deixando nua a flor entregue, às invernadas faltas de primaveras. São essas lembranças os jardins, onde brinco nos sonhos, todas as presenças das vividas felicidades. Adeus?!  Adeus não existe, quando ainda nos fica a saudade. É a doida partida da vida, que o seu próprio caminho, aqui nesse mundo não se mede. É a felicidade, que para viver, do outro lado do aceno se despede.  



  by betonicou Arte: Galina Poloz




sábado, 27 de janeiro de 2018

Razões © Copyright










Trago no peito as marcas de amor, mas trago a felicidade contida, sem causa de dor. Trago junto ao corpo: uma sombra que me segue. Trago uma sombra, e uma sina que me persegue... uma luz, uma vontade singela, uma chama e um ardor de pingo de cera de vela...


Trago os contrastes que nos regem a vida inteira. O suor da vida corrida, o sossego de vida solteira. O calor do verão que pede o frio de inverno e, o frio que pede aconchego materno. O suor e o calafrio dos tempos modernos. Trago o choro, mas esboço sorrisos sempre singelos.



  by betonicou

Arte:Guy Denning 






domingo, 14 de janeiro de 2018

Revérberos .© Copyright

Sou o velho, sou o antigo, e sou moço desse momento.  Sou Maria, mãe e filhos, sou tudo na faceta do espelhamento. E existem os outros nomes, outras faces, outros lares, outras terras e outros ares. Sou o pássaro, sou o anfíbio, ou o peixe nas águas refletidas dos mares. O que aqui mesmo existe, na verdade é tênue. Sou criança de todos os lares, e sou avós de todos os pesares. Sou reflexo de muitas imagens. Sou espelho que se repete nas superfícies dos existentes, e insistentes olhares. Sou o sorriso, e sou o choro nos revérberos das ruas alagadas. Sou o voo diurno das inocentes vaidades amanhecidas.  Sou o espelho lunar no véu escuro das vaidades emplumadas. Sou o novo, ou o  velho e trincado abrigo que mostra as expressões tão sonhadas, e sou os rostos esquecidos sob as peles envelhecidas e enrugadas. Sou areia aquecida e espelhada que mostra suspensa nas paredes, nas poças, ou nos ares.  As vezes sou o esquecido opaco, livre das imagens das vaidades populares. Sou eu quem te lembra que nesse tempo existe, numa verdade nunca escondida. Sou céu ou precipício, porém sou sempre a verdade amanhecida. Sou espelho das águas, das areias. e dos prateados lunares. Sou a vida amanhecida ou anoitecida, de muitos outros lugares.
by betonicou arte:  Inspiration - stained glass design - DidierDelamonica




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Odisseia .© Copyright

 São estrelas guias, essas viajantes, acima de minhas estradas. São  margaridas nas terras frias, ou vermelhas das constantes caminhadas. São luzes tênues, feito dor, ou canto da triste ou alegre melodia, pois o sol reclama, da noite que termina o dia. O que seria, sem essas luzes que voam nas asas magicas dos vagalumes? O que seria dos nossos jardins, sem os lindos girassóis que sufocam os amargos queixumes?  São as aquarelas, todas essas luzes coloridas dos reflexos sob qualquer água.  É o   meu sol, a poética luz de velas. É apaziguada madrugada esperançosa pelo dia. É poesia nascente sobre aquela nuvem, que constantemente se desagua. São os pingos desses versos, a esperança sorvida pelos singelos bicos dos passarinhos. São esses gorjeios singelos e inocentes dos pequenos anjos e seus ninhos. São estrelas, as marcas das pisadas, onde caíram as sementes plantadas e germinadas. São estrelas, as flores iluminadas pelas magicas luzes dos pirilampos. São esses jardins, os céus terrenos que nos encobrem nos fins, de tempos em tempos. É esperança, essa estrela que no coração todo mundo guarda; mesmo os descamisados de suas razões esquecidas. É sol, até as luzes que são vistas por debaixo das protetoras marquises das alegrias perdidas; sobre o morador que ali persiste. É vento e brisa, sobre toda a pele. É estrela sobre todo o viajante que aqui existe.
by betonicou   Arte: Galina Poloz  Último texto de 2017! Feliz ano novo a todos! Que venha 2018, porque estamos juntos!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Asas divagantes.© Copyright

As asas leves que aplumam as minhas emoções me levam ao ninho, acima daquela serra. Cortam o espaço deste mundo, e fazem -me dar   adeus àquela terra. Não são causas: as folhas passageiras que despencam em todo canto, e nem são as feridas dos espinhos de laranjeiras, nem são as pontiagudas agulhas das roseiras que ferem a quem delas cuidam, sempre em felizes cantos.

As asas que aplumam minhas ideias tão sonhadas, são as canções das lavadeiras das encardidas roupas das crianças brincadas, ou são as lagrimas das carpideiras que emprestam o seu choro, de águas, para as faces secas e caladas.  São as canções dos violeiros que fazem saltitar dançante, e são a leveza dos balões.  É vento que carrega emudecido, ou misturado aos gritantes trovões.

Minhas asas são ideias aplumadas, ou emplumadas, de reais fantasias divagadas nos sonhos ligeiros, feito flores que são estrelas, destes singelos canteiros. É fumaça que se mistura, e brisa das infantis noites embaladas. É cometa vagante da criança adormecida, em seu próprio ninho.... É nave dos horizontes que visita quem está sempre sonhando, em leves delírios de passarinho

Meus ventos são frios ou quentes, ensolarados ou brisas enluaradas, deste meu mundo todo sonhante. É a voz que grita nas trincheiras desta guerra de inocência versus culpabilidade, a todo instante.  É o vento anjo que voa ligeiro pelas aéreas estradas, dos belos sonhos guardados. É nau do viajante, ou passarinho que pousa nas macias nuvens dos céus, simplesmente sonhados.
by betonicou  Arte:Marina Czajkowska -