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curvas, retas e esquinas

domingo, 1 de outubro de 2017

Insensata inocência © Copyright


Ontem, foi apenas como passar de um vento. Porém esse rápido ar trouxe tudo do momento: Guerras e fases loucas, de uma juventude no seu tempo. Ontem construiu a solidão, que o homem leva da singela e verdadeira inocência. Ontem forjou lembranças e brotou esperança na inesperada e desajeitada inconsequência.  De todo o mistério, o ontem fez o seu próprio templo. Fez também das falas e gestos alegres as cenas   das realidades que contemplo. Fez das ingênuas vozes soltas o ar sereno dos sinceros e fortes argumentos, e o sol apontava para o horizonte, onde o ontem se encontrava, bem à frente do seu tempo.

Ontem fez recordações nuas, para vestir qualquer ausência. Ontem era mistério que se desfez na impaciência, e a simplicidade daquele vento que levantou as vestes, era o toque silencioso da minha mão. Ontem era todo corpo vestido da frágil e evolutiva juventude. Ontem era o insensato, no futuro, tão ciente da amplitude. Ontem era as falas tolas ou inocentes emoções, que todas as crianças são. Ontem se pavimentou de saudades. Era chuva na terra e seus perfumes. Ontem era as águas, e os temporais das frágeis e passageiras cenas de ciúmes. As risadas soltas e movidas pela inocência, era o ontem calando a voz de seus queixumes.


 by betonicou


by betonicou



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Opostos © Copyright





E tudo retornou, quando a noite se foi. O cantar, o falar no voar das manhãs. E tudo voltou quando o frio se foi, no fechar das portas, para quem nem se despediu   com acenos afãs. Há muito sobre a lua que se apaga, sobre as estrelas que se retiram tocando de leve, como orvalho que evapora depois que afaga.  Há esperança no sol que renasce, no pequeno facho de minhas frestas. Ouço pássaros que cantam, como que anunciando em vozes de profetas. E eu aqui, todo encantado abrindo as janelas sinto a brisa, e observo o voar suave das borboletas.


O sol se retira na noite que chega trazendo consigo a lua, e a luz das lanternas para os voantes fascinados. Há sempre um poema com brilho, sobre o astro que descansa, e sobre pássaros cantantes e os noturnos bicos calados. Há sobre a noite, poesia.   Há sob o véu escuro, romance de lua dos amantes exacerbados, e   dos sem tetos descamisados.  E de novo, o sol que desponta traz de seu berço a manhã dos contentes, e a confiança dos taciturnos bicos ausentes. Traz a luz quente sobre a terra, onde germinam as vidas, das toscas e murchas   sementes. by betonicou



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Veneração © Copyright

Prezo aquela flor que de tão formosa achou um jeito de roubar a atenção do meu modo de sentir, e de tudo que faço.  Preso aquele cheiro de liberta castidade, onde todo   ávido cheiro a rosa , e nem me disfarço. Prezo o jardim daquela rosa, pois também quero me embriagar, e me afogar naqueles beijos calando a prosa. Prezo o voar nos ares da liberdade, e falar sem falsidade. Prezo da Marcela a macies da pele aveludada e da azaleia, a roxa nudez, além da seriedade. Prezo da margarida, o jeito suave e delicado das pétalas brancas, e o sol que a faz estrela de verdade.

Prezo sentir todo aroma adocicado. Prezo o rosto esbranquiçado feito de lírios que me tira daquele silêncio tão calado. São essas, as flores preferidas, joias para esse meu olhar incrustado. São essas, as pétalas brancas ou coloridas da minha primavera São essas, pequenas criaturas presas, a esse meu chão antes encruado. São esses espaços, os oásis das vidas áridas. Prezo as delicadas flores que no chão são borboletas, a pousar nessa terra de areias cálidas. Prezo a flor de néctar de beija flor. Prezo a doçura do orvalho sobre as pétalas delicadas de cada flor; não importando a cor.

by betonicou



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Vontades © Copyright

Essa sensação que esconde de vez minha razão. Tenho essa razão que fica sempre na espera. Que situação, e´ esse inverno todo feito de ilusão. Pobre coração que anseia primavera! Que tola situação, só mesmo um louco precisa mesmo é de paixão. Escravo sem noção que sempre deseja: Ah quem me dera!  Ah quem me dera! Ah quem me dera poder ter um desfeche, de um amor de mar para mergulhar.  Junto a esse frio poder de todo me embriagar e me vingar, dessa longa espera de seus beijos.  Me embriagar e me fartar dessa ternura e fazer desse amor, todo uma dança de passos de rua que é para acalmar as noites que passei em claro, sob a luz solitária de meus desejos.

Feito de ilusão e nada do muro sóbrio da razão, esse coração é tão voado nessa esfera. Essa sensação que precede, o da tola   sedução. Este coração, sempre quer o que mais espera.... Quanta imaginação cabe, na frágil força da paixão.  Agora coração, te desejo o que mais quero: Ah quem te dera! Ah quem te dera!  Ter um desfecho de feixe da luz da lua e caminhar de mãos dadas naquela rua.  Seja noite ou dia claro, todos os momentos, são perfeitos para que te inclua. Enrolar de abraços aquela cintura, mesmo que a paixão não esteja nua. Um luar morno, para iluminar essa loucura. Te embriagar de amor, com doses de candura e desvendar de ti o que mais quero.... sobre meus próprios sentimentos do peito.

  By betonicou


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Idas e vindas © Copyright

Tudo fica do lado de lá, na despedida. A noite termina e a lua se apaga; é dia! E o coração fica todo   descompassado quando diz: estou chegando!  Lá da janela, eu pude avistar gente que vem do lado de lá, e minha porta toda se abre para quem   quer sair e outra, para quem quer   voltar. E tem gente que vem de todo lugar querendo  trilhar nessa vida, mas não quer ficar; talvez tenha medo. Todos os dias, e´ partir para outro dia.  Tem as noites quando lua brilha, e tem a grande de cor pálida que diz: ainda e´ cedo!  É que vem chegando aquela manhã, naquele ato de voltar, mas pode me dar aquele abraço e antes que o dia chegue, eu quero mesmo é esse apertado espaço do sossego. Tem lá na estação: gente saindo, e quem chega de todo lugar. Tem pessoas indo, sem querer ir para lá. Tem gente vindo sem olhar para trás. E lá da janela posso avistar aquele aceno de quem vem chegando, para querer, aqui ficar sem receios. É primavera, e cada folha retorna de sua caída. E tem as flores que desabrocham naquela dança, de dizer: estamos voltando! E é todo esse vai e vem, no retorno das folhas de despedidas.  É sempre tempo das idas e vindas, de uma vida sem segredos.
By betonicou




quinta-feira, 23 de março de 2017

Asas de outono © Copyright



E tudo é,  como um vinho embriagante tomado sem sentir nada. É extremo feito o infinito, mas é vazio de nada. É tudo feito das asas acovardadas, sem poder voar ao sol. É como pés que trilham nas  símplices  e retas estradas. É o passar do tempo nessa estação tão fria de folhas secas e estagnadas. Como uma estrela, num cintilar sem brilho,  ou a água que para sem chegar ao rio.... É essa vida desgovernada. E tudo e´ tão estranho e  tão frio, de esfriar o sol! E as folhas  sempre caem temendo a colheita e aí se despencam numa poesia condenada.  É um voo perfeito, de tirar o folego, até na calmaria desleixada. E essa coisa do desespero, de mergulhar de vez! Mas é poema puro de outono, toda essa chuva avermelhada. Aí aparecem todas as razões que nos roubam as doces ilusões, tão queridas e tão sonhadas. E esse vento que teima em nos puxar para a letargia! Parece um sonho, de até sentir medo dessa calmaria repentina, ou subordinada. E ouço a melodia de amor; ou fúnebre? E ouço a voz tão fria de minha timidez atenuada. Tão fugaz é a covardia e o rubor de minha face, ante uma batida tão descompassada. E aí que bebo o vinho, numa noite escura e também tão fria e enamorada. E tudo que devoro é minha lucidez!  É bebida fria, igual aos abraços frios que ganhei e todos os sentidos do “talvez”.     By betonicou

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Sensibilidade © Copyright


Paz! Sempre quero mais! Nesse novo passo que se deu na criação, são sol, lua  e estrelas que refletem nesse céu de todos nós!  São as nuvens que se desaguam em forte turbilhão. Paciência e sorrisos que voam leves são poesias de balão. Sentimentos? Sempre verdadeiros! Sonhos? São repletos! Todos os com os nossos ideais! Terra santa? São onde as asas pedem um espaço para pousar. Passarinhos dividindo todo o ar da emoção. É a paz, que sempre acena as asas brancas da mansidão. E qualquer coisa que nesse ar cheira, é aroma que faz sonhar. São as coisas pequeninas, os grandes jeitos de falar! São grandes esses gestos, e são espaços da imensidão .... Um cometa, ou um pássaro indo, ou asas de avião. Sempre voa sonhadora a alma e as vezes, quer mesmo e´ a sensação de levitar .... Canta a canção de paz da consciência! Canta em coro, tudo que se tem de amar. Canta aquele pássaro revoando, até o ninho de repousar, onde aguarda os gorjeios de infância e ainda, há um canto reservado, para descansar de revoar. Voa a alma, nos espaços das visões    comoventes! Voeja em pensamentos, onde divaga nesse ar. Descansa naquele ninho, onde a vida e’ segura... naquele pequenino espaço de descansar. Há! — Eu quero sempre mais das ideias conscientes.... Quero o lugar, onde a alma e o coração possam juntos, até brincar de sonhar.  Quero a paz proclamada, dos pequeninos cantos inocentes. Quero as asas pequeninas que rasgam os ventos das delicadas brisas, desse leve e sensível   ar. A semente da paciência plantada, nas secas e áridas faces dos descontentes.... Pois o que queremos mesmo, e ´de olhos abertos sonhar de brincar de voar.