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curvas, retas e esquinas

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Despedida © Copyright



Ouço tua voz, este teu som rouco e sedutor. Vejo este teu jeito cético de fazer amor. Esta tua boca tem perfume, te beijar era meu costume, mas em teu jardim um pouco árido não pude repousar. Faz da vida o que bem quer, e    outro ama, e faz o pouco que puder. Revirando a mesa traz à tona a tristeza. Faz da minha voz interior uma incerteza. Ouço a canção da despedida, e toda a lucides fora diluída.  Esta paixão é a mais sofrida, porém o amor cura aquela dor tão ressentida, e o desejo tolo se calou.

Vejo o teu corpo andar pela minha rua, e não sinto a essência; talvez, disso esteja nua. Esta tua boca perdeu o perfume de vez, e pode até ser coisa de ciúme, e eu não quero mais gostar. Da tua boca perdi o costume, mas sempre o coração não sabe como se   aquietar.  Fez bater forte para eu dançar de novo. Os teus olhos, e’ o que procuro, para ver se há céu para poder sonhar. Esta ilusão toda vergonhosa, sofrida e desmerecida faz querer retornar para a vida, antes sossegada e tão divertida; bem antes da boca mais linda e sedutora, que o meu beijo jamais beijou.
by betonicou
arte:batik pictures abstraction
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

domingo, 15 de novembro de 2015

Nau do embriagado © Copyright

Quero navegar por este corpo, feito uma nau embriagada, e quero
Equilibrar-me por essas ondas, feito causa quase naufragada. Quero
 Levantar minhas velas, para ver se navego mais perto. Quero pegar um
Vento forte , ate chegar a tuas praias de surpresa; todo descoberto. Quero
Ver a tua roupa no varal, toda pendurada; quero te ver miragem... E ao
 Ver você toda nua, feita ondas embriagantes... Quero criar coragem. Agora
  Bateu forte o desespero, nesta vontade de total destempero.  E cá estou,
Nessa minha nau quase naufragada, neste teu tolo exagero... Quero mesmo,
É aportar de novo, fazer um chamego doce, com toda a minha malandragem.
Quero beijar tua boca, sem o acido dos beijos loucos; que e’ pra fazer triagem...
Quero o veneno dos teus cabelos, que entorpecem os meus sentidos, de desespero...
Quero dançar a dança deste teu corpo, ter passos embriagados de tantos exageros,
Quero não se lembrar das causas recentes, de tudo que falamos, ou o que a gente viu...
Ou dos rumores descrentes... E quando a gente percebe alguém já partiu. Partiu para
Um mar dessa vida, sem volta, ou destino de onde parar. O que eu quero mesmo,
E’ brincar de esconde, esconde, mas sempre deixando você me encontrar. E a
Gente vai navegando nas ondas mansas, ou de Tão apavoradas, que nunca a gente
Viu! Mas partimos com o barco todo cheio de tudo, que a gente fez, e sentiu...
E esse mar que me abraça... Fazendo não querer mais aportar... Mas eu quero
Mesmo, é a vida da terra. Quero tua praia mansa... Para de tudo enfim

 Poder descansar, e brincar...

By betonicou

sábado, 17 de outubro de 2015

Miragens © Copyright


Enganei tudo e enganei nada. Foram tantas armações e são tantas
 Divagações que me perguntei: por que enganar a vida, se a morte
  não se engana?! Enganei meus próprios versos e escrevi o que hoje
esta sendo revisado... Arrependo-me , por não ter ao menos uma vez,
não ter enganado o tudo que se fez nada... Enganei os céus e pedi chuva,
Enganei o sol, pois queria a lua, e enganava a lua querendo o sol. Enganei
o ar, pois queria fumaça para preencher meus pulmões... Enganei quase
tudo e não enganei os caminhos do coração .... Enganei as minhas
estradas, quando escolhi outros caminhos e  escolhi enganar de amar,
a ser enganado de ser amado, não odiar e ser odiado... Enganei o universo,
 pois subi acima do que para mim estava permitido... Nos meus delírios
 voei além dos limites e  enganei a mim! Eu queria ganhar e não perder...
 Porem às vezes,  quando perde engana-se de ganhar e  enganei todos os
 sons, quando emudeci. Enganei as águas, quando nadei contra as correntes.
Enganei a minhas mãos, quando toquei as brasas que queimam e enganei
As lindas janelas, quando escolhi apenas observar o adeus. Enganei
minha própria face, quando deveria sorrir e não chorar a despedida.
Enganei a inocência, quando aprendi a olhar e desejar e  e enganei-me
de inocência, quando venho o desejo e desviei o olhar ...Enganei todos
 os meus medos, quando enganei a mim mesmo e tive coragem...
Enganei o meu peito, quando de amor sofri e bastava apenas suspirar e
respirar leve... Enganei e enganei!  Mas eu queria mesmo, era enganar
meu coração e alimenta-lo da minha razão... Mas enganei a própria
logica de meu raciocínio  e escolhi , a não enganar-me de frieza...
Enganei todos os sentidos,  mas não enganei a minha maneira de enganar
a vida. Sim! Enganei todos os caminhos da desistência. Enganei os versos
Vazios e enganei-me, quando resolvi enganar-me... Enganei-me escrevendo
Para a vida, um verso torto, nas linhas da imaginação ...
By betonicou

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Satisfação © Copyright

Sorria por favor! Sorria meu eu, tão gentilmente. Sorria uma canção, e cante de novo uma risada. Ria das loucuras, desse eu tão impune e imprudente, e faça do horizonte, uma luz que sinalize toda a reta estrada. Sorria leve, como o voo do beija flor. Sorria macio, como as flores lindas tão visitadas. Sorria uma canção! Sorria uma alegria, mui digna de gargalhadas. Sorria o fechado coração, bem leve. sorria um pulsar tão gentilmente. Sorria um novo horizonte, destes que brilham um sol, e faz brilhar todo o rosto da gente. Derrame-se sobre nós a chuva, uma de pingos de pétalas tão delicadas. A vida é como as flores de lírios, de belezas tão fortes e fragilizadas. Aventure-se nas questões, e que sejam elas, das maneiras amenas, ou as transloucadas. Sorria todos os riscos, pois a vida, às vezes são aventuras tão arriscadas. Sorria com teus olhos todas as cenas pegas, e as que ficaram cristalizadas. Sorria, pois tudo é como o dia que amanhece novo, pleno, originariamente. Sorria a noite tão escura, pois essa, também esconde aquilo que nos é deprimente... Sorria, mas veja com teus olhos, e também escute o que a vida nos ensina dos becos, de modo tão paciente, pois de estreito, já nos bastam as dores das paixões tão aguçadas. Sorria de todas as ocasiões desajustadas, porque nem tudo é para sempre, nem as bandeiras que levantamos para as lutas mal guerreadas. Sorria! A vida pede brilho, e o sorriso manifesta tudo tão levemente. Nem tudo e´ deprimente!  Na vida existe amor, e sempre ocorre lindo, e naturalmente; sem as horas marcadas. A vida pede mesmo e’ um sorriso de amor, para ajustar as ocasiões tão mal fraseadas, e desesperadas.





By betonicou


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Raízes © Copyright



Estamos todos a sós!  E também as matas e os curiós. Somos
Brisas, tão perdidas nos caminhos e o que nos resta, são os traços
Desse desassossego... Há fumaça onde eu moro e não há fogo
Sob o cozido, mas há calor na morada da paz e cada um, num
Canto canta,  o que não esta de  tudo perdido...

Estamos tristonhos de dó, porem o sentimento é um só... estamos
Tão sentidos no desalento.... tiram-nos a paz e roubam-nos, o
 Nosso sustento... Vejam as matas, onde nascem nossos ribeiros.
Somos ribeirinhos, de todas as casas; Filhos dos mesmos canteiros !
Entoamos, os mesmos cânticos de piedade... E a temporada das
Queimadas que matam em nossos quintais abriram-se... Queimam
Sem dó, os nossos celeiros.

É um sonho de dó, esse que acompanha nossos a sós... Feito
 Um sonho desaparecido.... Feito as Marias fumaças que trilhavam
Lindas,  num vagar bem ligeiro. Ainda matam, nossas matas e secam
Nossas lágrimas e encurtam nossas cachoeiras; fazendo do árido,
O triste roteiro... Nossos sentimentos e nossos sonhos são podados
Por inteiro... Somos as flores secas, dos antes lindos campos de girassóis!
E o que nasce e envermelha os nossos olhos, é um choro molhado
Pelo azedo, tosco e negro nevoeiro.

Há uma febre,  e essa não passa.... Há delírios, de esperança nos terreiros!
Pois  ainda temos a certeza que o sofreu canta e gorjeia ; o que todos sofremos...
E os nossos sonhos são verdadeiros ! É essa esperança que nos mata de saudades,
Nessas nossas trincheiras...  E ainda fazem frios, os nossos lenções e queimam
Nossos pendões, por suas próprias e negras bandeiras!  Porem, ainda nasce
 A água clara e doce ribeira. É a consciência que brilha  em todos nós,  no azul
De nossa verdadeira fé estradeira... Pois somos, todos molhados e regados, pela
 Imponente, pura e sagrada natureza brasileira...
By betonicou

sábado, 22 de agosto de 2015

Soneto à minha realidade © Copyright

Vem minha alegria, e pouse nua neste meu ser.
Confesse, todo o meu peito e desnude esse
Meu querer... Revele, quantos beijos eu beijei,
E a quantas travessuras de um amor me entreguei,
E em quantas janelas, te esperando me debrucei.

Veja minha realidade, onde mora uma saudade.
Brinque, diante dos meus olhos que são janelas
Da minha vaidade... Adentre expulsando do
Peito, essa tola verdade... Pois a escura nostalgia,
Apenas nos coloca nos olhos, um tom piedade...

Vem e mostra-me, aquele tão pouco, aquilo que
 De tão louco me fez empobrecer... São as minhas
Lembranças, essas minhas heranças que de tão
 Pecados, só faz entristecer! Faça de mim sua rua,
Porque de alegria, jamais alguém pode sofrer.

Derrame sobre mim este teu cuidado... Pois não
 Querer ser machucado, e’ de bom grado. Faça
 Decoroso esse meu jeito assanhado... Não quero
 Rancor desajustado... Quero mesmo, é remédio
Para as dores de amor!  Eu só quero. um momento
 Que desabroche em viva cor.
By betonicou

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

voos ávidos © Copyright

Eu não sei onde estou!  Eu ainda não me encontrei... Espero que
Eu seja diferente, do jeito que eu mesmo pensei... Pois não sei
Aonde vou, ou se alço voo das ruas apertadas... Pois sou passageiro
Das aventuras, destas vias desesperadas. Nas ladeiras da vida, foi.
Onde me derramei , quase por inteiro.  Das íngremes subidas,
Foi onde me despenquei tão brasileiro! Eu passo pelas ruas escuras,
Procurando diversão... Eu avisto as calçadas, onde repousa dormindo,
Toda essa minha tola razão. E sempre procuro algo desigual, em todas
As avenidas por onde eu passo... Ai eu vejo as “Marias” desfiguradas...
Feito um quadro distorcido de Picasso.  Eu não sei como se desfigurou
Todo esse meu tempo presente...  Eu só sei que pulsa este meu coração,
Intranquilo; quase sempre ordinariamente. Eu não sei pra onde subir!
 Tenho asas de papel machê. Eu só quero voar leve, feito um anjo
Inocente... Eu quero ser o mocinho dos filmes infantis de matinê! E nem
Sei se voou em meus delírios, todo aquele meu sonho ausente... Eu não sei
Mais nada das ilusões... Estou bem aqui, todo prudente! Eu sou assim, todo
  Pulsante; sinto-me tolo, emotivo... Eu sei quase tudo dos meus medos.
Quero um sentido para amar; eu quero um motivo. Os meus olhos veem
Nos céus, todas as nuvens do meu juízo! E minhas partidas são um adeus
De acenos; não meros comedidos. Eu também sou paixão translouca,
Sou paixão às vezes, dos amores desmerecidos... Eu sou todo igual, ou
  Diferente. Sou complexo, ou sou simplesmente... Eu quero que um vento me
Procure, pra subir também bem brasileiro! Eu quero cantar outra vez e sorrir,
Sem choro, e  pousar sem desespero.
 By betonicou