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curvas, retas e esquinas

terça-feira, 23 de julho de 2019

Queda e paraiso© Copyright




Era de mato, o tapete e a cama, a me descansar sob a lua. Era de beijo a boca calada, sem voz, pois não havia espaço nem desejo de falar onde a ternura pousou silenciosa. A noite gritou em grilos; falantes arruaceiros a silenciar de barulhos inocentes a minha prece. A manhã chegou, apenas com a voz rouca de galo, a cantar desafinado, mas bonito. O sol chegava devagar, lá no outro horizonte, a olhar pelas frestas, por detrás da floresta de picos erguidos, como agulhas cinzas de torturas sobre a montanha encoberta de esquecimentos, que era um jeito de ser triste por detrás de uma falsa e ilusória alegria. Não havia cheiro de mato chovido pelo orvalho, e sim, o asfáltico perfume de flores murchas, mortas, pois nem chegaram a nascer. Havia até um certo deslumbrar pelas estrelas que pálidas cintilavam tímidas num céu escuro e tomado por uma teimosa névoa de civilidade, enquanto num canto acanhado da terra brincava-se simples, de horizontes dourados e gotículas cruas e ingênuas sobre o mato para pés descalços e salvos da tola e fragilizada polidez.  By betonicou


Membro da academia de letras de Santa Luzia ( Aluz) ocupando a cadeira Manoel de Barros. "A Deus toda a gloria!" Até aqui o Senhor me tem guiado. 
Arte: Laurel Burch