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curvas, retas e esquinas

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Mariposas , lobos e ruas. .© Copyright


 



Noite de estrelas e um homem sai às ruas. Esbarra-se nas mariposas, nas rebeldes falcatruas. São tantas estrelas que vagueiam pelas ruas. São tantas luas refletidas nas poças das ruas nuas. O ar viciado embriaga o senso dos desavisados e o tabaco flutua, em vapores secos e opacos. Na noite em que as cores se acinzentam, os lobos caçam e as lobas amamentam. Os animais noturnos acuam e devoram. As mariposas perdem suas asas nos ares e são devoradas nos sujos balcões dos bares. As estrelas estão vermelhas e os olhos cansados trocam as cores deturpando o sentido cristalino. Na calçada, um homem vive seu lado desatino. Vagam pelas ruas, as mulheres rameiras. Tristes vagam pelas misérias; sem eiras nem beiras. Nessa noite, por mais sombria que seja vagam os tolos boêmios e cantam suas lindas asneiras. Na calçada cambaleia um homem, com tom embargado e cantante. Fuma seu cigarro barato, o revezando   com a gaita, num tocar melancólico e angustiante. Um tombo, um levantar, um sentar desajustado. Mesmo assim sopra suas notas num soprar triste e embriagado. Entre as lágrimas e a dor do coração partido procura refúgio, num pobre amor pago e distorcido. Sob a fria lua, um desabafo jogado pelas ruas. Nas ruas dançam as mariposas sem asas; pobres e nuas. Numa noite de estrelas e mágoas cambaleiam as criaturas pisando, em distorcidos reflexos de luas, nas cinzentas poças das ruas.   






  by betonicou


 Arte:Marina Podgaevskaya-Moonlight by Marcin Wolski