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curvas, retas e esquinas

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

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Não me ouvirão, pois estou dentro do meu silêncio... mas quero que saibam!  Fui até os vales colher flores e os espinhos me abraçaram. O vento murmurou em meus ouvidos a música que ali mesmo embalou meu sono, e meus olhos, se fecharam para verem dentro de mim mesmo, o que havia além dos olhares físicos...as flores abraçaram minha nudez, enquanto as águas as regavam para fazerem brotarem sob minha pele as suas raízes... O sol brilhava majestoso em minhas retinas, enquanto minhas luas negras fitavam no espelho das águas, a nudez que as flores cobriam. Era um jardim que crescia, e as pétalas coloridas sobre meu corpo seriam as mesmas que enfeitariam a lapide que um dia o guardaria, como lembrança póstuma desse meu mundo...as trepadeiras aproveitavam os caminhos vagos, e se faziam crescer tornando o meu muro  de pedra, um tapete de folhas de esperanças... e os pássaros faziam seus ninhos dos espinhos deixando apenas as flores que também protegiam-me  do meu próprio frio... Não quero que me ouçam , mas apenas fui ao vale colher minha próprias flores do silencio e minha alma abraçou aquele  mundo, enquanto as águas lavavam o grito que teimava em ecoar em  minhas montanhas... E o mundo, não ouviu o meu pisar sobre os gravetos secos, e enquanto meus espinhos serviam de casa para o descansar das asas brancas de pequenos anjos,  eu sonhava a minha história, no silêncio de minha alma. By betonicou