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curvas, retas e esquinas

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Delirante © Copyright

São esses horizontes que me levam para aquela estrada. Levam tudo dessa fonte, onde jorram as
minhas águas. Vertem flores de lembranças, mas tudo, são pétalas na ventania...Caem as folhas no seu tempo,  mas nesse tempo, também gelam tudo, pois a lua, no alto de amor se esfria... são as fases desse meu mundo que me levam pra minha morada.... É a sorte tão escondida que quando se acha, e´ sorte tão desprezada...Mas é tudo cena de um pesadelo, e os sonhos claros vem no presente trazendo paz na caminhada. Na verdade, a luz me abraça em cores vibrantes, ou numa só, tão claramente esbranquiçada. E’ a eterna loucura de “Cervantes,” onde o moinho rodava as ilusões tão desfrutadas, e o terno cavaleiro brilhante, em seu esquálido perseguindo as quimeras, nas delirantes noites caladas.... Hoje dormi um sono, de sonhar tão diferente e nas minhas noites escuras, até a lua sorri largo e gentilmente. Adormeci no jardim ao ar livre, com todas as músicas silvestres, tão bem orquestradas. Sonhei tão alto, num voo dos anjos amantes... e voei rasteiro e ligeiro, nas minhas sensações, as vezes tão ilusórias e divagantes... Ah- coração! Esse meu peito, todo descompassado declama as poesias tão apertadas e instaladas.... Quem me dera um coração maior que meus amores e não apertar tanto o que a alma instala de emoções, tão grandemente alargadas...Se e´ paixão que se derrame e se perca nas enxurradas. Se e´ ternura que seja um mar, de águas claras e turmalinas. ... e se e´ amor que seja claro feito o dia.  Feito da clareza das águas doces e das minhas  cristalinas e vertentes retinas .






domingo, 27 de novembro de 2016

Orvalho © Copyright

Seja como for! Seja a luz dos teus olhos que clareou meu destino. Os teus cabelos loiros ou negros, são fios que entrelaçam os meus carinhos,  e as estrelas caindo, são de manhã os teus beijos de orvalho, com o cheiro,  e sabor doce das hortelãs. Seja o que for! Se e´ o tempo do meu destino, então me abrace todo, pois a alma pede... e que não seja fraco, e que seja bem devagar. Clareia mais os meus olhos,  nos teus olhos azuis das borboletas que voam acima do meu leito. A minha cama é o nosso divã.... Na sua pele macia, os meus beijos pousam e acariciam,  e tudo basta  para sentir,  sem ser preciso entender. É esse amor, a luz que sinto,  e que nem o tempo apaga, ou apagou o destino. Aquele, em  que se dão as mãos e caminham felizes.  Lutar, talvez seja preciso, e mudar e florescer, para acontecer se preciso for...As estrelas não caem! Apenas são nossos fogos que estouram no noturno céu... E essas nos cobrem com as mãos macias, como aveludadas pétalas. O céu tão nublado,  de nuvens de amor deságua enfim! Os céus tão estrelados de flor consagro a ti! Isso é amor e não se escolhe.... Apenas acolhe e colha, o que plantou em mim. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Horizonte na catedral © Copyright


Lá daquela porta, eu pude sentir... entre os acenos mórbidos de um final tão trágico. Entre as flores mortas eu vi um broto válido e entre um cair tão sórdido me vi num chão não sólido e entre risos loucos me vi, num espaço de fluir. Sensações não materiais! Tão longe de tudo,  e tão livre das coisas vãs e acidentais ...Uma janela para um mundo fantástico, uma porta para um mundo calmo e plácido, pipas no ar e um coração não gélido. É tudo que sonhei, nesse meu tempo de pensar e refletir. Sou passageiro, às vezes ocasional e sou navegante das gerais. Tenho as montanhas como berço sólido. Tenho um horizonte que me dá o berço plácido e tenho as manhãs calmas, tão dominicais!  Tão perto de tudo e das coisas naturais.... A lembrança de um amor que voou tão pássaro, uma flor que brotou nesse chão antes árido e esse vento calmo que é o meu sinal, e o meu jeito de existir. Novo horizonte das manhãs! Uma vida nova tem os seus mistérios... E todos os mistérios tem as causas lógicas.... Eu queria apenas o ar puro, longe das coisas sádicas e as músicas das esquinas poder ouvir. E eu quero apenas o santo ar da catedral!  Na sala da José, um espaço de dormir.




By betonicou

sábado, 8 de outubro de 2016

Prosa caipira © Copyright


Uai moço vem pra dentro que vai chover. Na varanda vê o riacho que vai correr! De seu rosto, a alegria da criação. Dos olhos molhados, do cheiro de pão, do barulho rasgado lá do ribeirão. Nada e’ sina. Até a alegria que abre suas cortinas... Na natureza tudo se renova,  até as brigas de amor e o laranja das tangerinas. Veja aceso o céu por detrás das nuvens, e de toda cerração! Nas bandas de lá, é a ligação que faz brotar pra fora a semente na sequidão. Olha moço, a vida chove, e nos convida para ver. Do céu despontam pingos de água, porém são as vezes, os pingos dos olhos que fazem florescer. E o remanso de calmaria, depois do desaguar da aflição? Uai moço veja  as coisas de lá!  Lá, talvez não chova não. Pode até ser que chova dos olhos, e assim encher desse lado o seu coração. A lua míngua e não está cheia, porém mesmo assim chama para cantar. Pegue a viola e a garganta, e vai pra fora farrear! Veja moço o alvoroço, tudo espera acontecer... São as morenas, loiras, ou vermelhas. Aquelas flores, que sua chuva fez amanhecer! E lá na esquina tem as trilhas para cada céu...Tem a branca dos cabelos dourados, tem a cabocla com beijo de mel, e a chuva que desce como véu! Tem a ruiva linda das curvas molhadas, e a negra do sorriso de cor, do mais branco papel.



 By betonicou

domingo, 28 de agosto de 2016

Evidências © Copyright


É segunda ou sexta feira, ou um dia desses qualquer! É semente na ribanceira rolando, e germinando onde bem quer. É o meu amor fecundo  procurando  nesse todo o que restou de um segundo.... É o tempo que sempre me faz povo, nesse tão diminuto tempo do meu mundo....  E sou as pedras das calçadas regadas de todas as  pisadas. Sou o homem, e um dos  filhos brincando nas jogadas. E ai, sou o falastrão de novo! Eu sou uma das caras fantasiadas do dia, de cada cena que reprovo. E a minha voz tão aflita, o acaso sempre rejeita. E a minha paz tão contrita, às vezes,nada representa ! Então ouço as falas que se ocultam...  E sinto os segredos  que se aprofundam nos mares, nos lares, na alma, e naquele olhar que vaga no drama, e me reclama...

É a voz do desconforto, quando vento balbucia o que não quer gritar. Os meus ares são anfíbios, pois são chuvas e respirar! Mas e’ a paz que é o meu consolo, e a minha fortaleza, são de sonhos, e não de ferro, ou de  tijolo. São os medos  que resisto naquele parque de brincar. São as ondas de palpites que me naufragam nesse mar. E o que ninguém sabe, ninguém destrói com desconsolo... Quando todos sabem, às vezes ninguém sabe, ou entende, quando a alma pede colo. Ai, é a febre que respira, e’ a onda dos altos e baixos de amar! E’ aquele beijo que não existe, ou ainda persiste naquele ato de divagar. Sou o homem que calado sonha. Sou a pessoa que perdoa, no silêncio dos ares, na rua, e na trama, ou onde silente  meu coração inflama, e  ainda a alma declama.
By betonicou 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Louca melodia © Copyright

Canta passarinho, e  cante com voz inocente  ao vento. Gorjeia
Todas as notas contidas, e recolha desse ar, a beleza no peito.
Sinta até as notas fúnebres, e as transforme num canto de criança.
Cante todas as preces,  e cante aquela que dê conforto e esperança.
 E  hoje,  eu  acordei com os pardais, e reverenciei a luz que nascia
para todos mortais. Pedi, até uma prece adormecida nos bicos silenciosos....
Pedi ao calado,  silêncio cantante, e me encantei com os gestos racionais.
Por que tu me cantas a lembrança, oh falsa esperança nos bicos dos
rouxinóis?! Eu vi meus restos emocionais espalhados nas águas dos
baixos e escondidos lençóis. Canta àquela prece, mas cale a voz da
da música iludida... aquela que teima em musicar a dor incontida.
Gorjeiem os pássaros ocultos  por entre as árvores, para que não
descubram, toda aquela paixão escondida. Porque o passado,  sempre
vem no presente buscar,  todo aquele" blues " dos perdidos. Então cante
a melancolia, e cante os bemóis aflitos,  porém, perdidamente tão bonitos ! 
Porque a saudade, e´ o tempo para passeios  naquela inocência  perdida!
Não o tempo das recordações, das paisagens destruídas, ou meramente
diluídas. Cante a poesia dos cegos, pois esses podem ver um mundo pintado de confiança.
Cante a poesia dos mudos, aquela voz calada, até diante da louca e tola
lembrança. By betonicou



domingo, 7 de agosto de 2016

órbita © Copyright

Corre um estranho rumo ao infinito.  Corre feito louco,
E da garganta  solta um grito.  Todas as manhãs passeia
Pelos caminhos, por onde a noite se prepara pra chegar 
Todas as tardes, se enfeita para a sala de estar, e a lua,
Se alinha minguante, e toda cheia reina, como num altar.
Um uivo distante ecoa aqui no finito, onde o lobo grita aflito.
A calça justa não suporta, todo aquele gritar tão esquisito, e
Os ecos estranhos repetem, "o que é", mais ou menos um grito...
Todas as coisas, e outras mais caminham juntas, e as estrelas
Apontam um lugar, entre outros astrais.  Nas costas de um cometa
Passeia todo bendito, o estranho que voa por rotas, não tanto usuais...
Há um canto de luz e uma paz, onde quer chegar.  Tem um canto
Escuro, e é aquela sala, onde não pode estar. Tem um grito
Estranho de pessoas, e uma dança, que briga para conter todo
Aquele forasteiro aflito. Há um espelho de lua, na paz que reflete,
E contém o   grito.  Todas as coisas e as cores são os  tantos iguais...
Todas as cores das coisas ao estranho são todas vitais.  Todos os
Vitais são sonhos, por onde voam, os cometas transcendentais.
By betonicou

sexta-feira, 29 de julho de 2016

silêncio memorial © Copyright


Eu penso na menina de tranças, com suas flores feito sardas pálidas. Penso solto e as lembranças vagueiam nas nuvens, feito emoções sempre cálidas. Vejo de minhas janelas, os acenos das saudades gasosas. Apego-me nas brisas que se foram e minhas narinas, ainda sentem o perfume das flores cheirosas. Eu penso nos calafrios na pele, mas não são do frio das palavras dos sentimentos gélidos... Eu sinto tantos arrepios, nas lembradas pegadas nuas e singelas... porém, não fora de decoros válidos. Eu penso na moça, sempre lembrada no andar das rotas de minhas vias não alteradas. Eu me vejo reescrevendo, com as linhas dos olhares nas curvas que as vezes, por mim passam, tão lindas e delicadas. As flores violetas enfeitam de roxo, o morto de minhas cenas passadas. Lá estão as flores brancas acenando ao vento, a todo tempo, em um adeus à saudade, até então estacionada...  Essas, são ruas presas aos delírios que divagam, em minhas vãs e pesadas passadas.... Meus pensamentos se turvam e de minha boca saem as palavras sem som, de minhas ansiedades caladas.  É o silencio, o grito ecoado das minhas internas vozes   refugiadas .... São das minhas retinas,  as paisagens da moça decorosa. São dos meus olhares, a vista da saudade escondida e silenciosa. 
By betonicou

terça-feira, 7 de junho de 2016

Adeus, adeus !© Copyright




Toquei os sinos e calei os gemidos. Troquei o sol pela lua em tom de desabafo. Nessa noite, os meus grilos cantam comigo. Tirei as lâmpadas, pois no escuro encontro sentido. As asas invadem o espaço de meus olhos, mas meu sorriso, ainda pede um abraço, no voar do acaso dos meus abandonos... Troquei os zumbidos, e os risos tomaram todos os espaços... A minha alma tem sede do meu sacrifício. Meu coração desenha os meus caminhos tortos.  Minha razão, sempre grita em desabafos. Os ventos abriram suas asas negras para longe do meu cio...sufoquei a garganta com as notas sacrificadas de sustenidos sem sentidos...Quebrei as lembranças e juntei todos os cacos para montar o vitral com as cores, de quem sempre foi belo Comigo. Os ventos sopraram o que havia se  estragado para enterro, e o que importa para a alma, senão a paz do sossego? Os meus espelhos refletem, a realidade dos meus reflexos, porém meus vidros opacos, são pintados, por quem me imaginam...meu coração e´ o mundo dos meus faz de contas; às vezes sem sentidos.  Minha alma busca o compasso e novos ritmos. Troquei as lembranças pelos novos, e gentis versos. A minha alma tem sede, e a razão pede que me desvie dos caminhos tortos. Agora, o que resta senão viver no abraço, do meu próprio juízo? Meus grilos são acasos que voam, mas apontam agora os caminhos certos. Toquei o sino do desabafo, e tranquei os gemidos. A minha Carne, e´ o caminho fraco para tudo que é fácil, porém o vento que soprava sopra agora, os meus próprios moinhos
... 


By betonicou

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Direções © Copyright

Caiu do céu uma flor, e despencou-se de meus olhos.
Caíram. e entornaram os anjo que voejavam meus sonhos.
O universo vomitou os seus corvos na minha rua .
As bandeiras, já não tremulam as minhas cores brancas.
Saíram para passear,  e não retornaram as minhas ovelhas.
Tudo e´ soma, até a sorte que nos deixa e despreza ...
Tudo é Conquista, até o que se perde, as vezes e´ sorte...
Caíram do céu, e  despencaram-se as nuvens macias do Azul.
Porém, o azul e´ lindo, e   as nuvens embaçavam- lhe os sentidos ...
O que é´ o frio, senão o escuro sem calor que nos envolve,
ou o silencio que buscamos na música que nos fere os ouvidos?
A minha paz é branca,  porém a guerra, e´ que tinge minha bandeira.
O universo canta o meu silêncio, porém  meu frio pede lã...
Ainda caem tempestades, onde apenas o orvalho e’ necessário...
Não! Ainda digo que não sei onde caem as minhas flores ! 
A certeza, e´ que caíram sobre mim, no fechar os meus olhos...
O azul e´ lindo,  Porém é o marrom, que se aproxima,  dia a dia ...
Meus pássaros imaginários cantam e voam nas minhas preces...
Oh! - O inverno chegou,  e minhas asas congelaram no seu voo.
Mãos se aproximam,  e não me deixam cair sobre espinhos.
As minhas preces são levadas , e entregues em bicos de pífaros...
Digo que não sei! Finjo que não sei da luz que se apagou...
Eu sei que caiu aquela flor, e minhas águas desaguaram...
As minhas preces foram ouvidas e ditas a mim pelos gorjeios.
São os pássaros que me carregam,  nos balaios do meu sono...
E eu estive, onde o ar já não sustentava as minhas asas quebradas.
As nuvens que caíram receberam-me, no macio do seu conforto.
Eram agora,  melhores que o azul que se pôs distante; no infinito...
Branca e´ a paz que circula as janelas para o meu mundo interno...
By betonicou

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Amor calado © Copyright


Tanto vento e você lá fora, para o destino levar, seja para onde for.
Esse vento vai passar! Aliás, tudo já se foi. Percebi, que passou tudo...
Tenha zelo  lá fora!  As estrelas estão caindo e outro sol pode escurecer...
Minhas razões são "eus" aprimorados. Voar agora, somente no sagrado, ou
Nas asas de um beija flor. Não vi enegrecer, nem o inverno que chegou. Não vi
Quando a inocência se desfez e nem vi, quando o meu eco se fez mudo...
Nem as razões dos meus versos puderem fazer, a chuva passar... e quando  
As estrelas caíram eu guardei o sol, para aquecer o seu mundo.
Nem toda a simpatia compraram, as notas certas, pra poder cantar.
Tudo que morre é plantado.... São sementes de cuidados, para germinar uma
Outra flor. Um novo sol se tudo escurecer, um outro dia, para poder chegar.
Uma nova poesia para escrever e uma nova luz, para poder brilhar.
Um outro jardim para os meus versos, que são notas, para poder cantar.
Um novo chão para caminhar e um novo som, para aqueles ecos, que se fizeram
Mudos. Tantas lembranças, são cuidados, que a alma guarda, para poder lembrar.
E tudo é viver sem recados, enquanto minha voz desnuda, os meus versos, para
Poder falar. Vejo o tempo que se cumpriu e a espera que perdoou... Vejo o mundo  
Que caiu e o mundo, que se levantou. Tudo se calou e deixou de chorar, todo   
Aquele luto, que se  fez mudo...
By betonicou

sexta-feira, 11 de março de 2016

Irreal e solido © Copyright

Vejo esse quadro, num todo geral. Vejo uma sala, e vejo
Um quarto, onde quero dormir. Vejo, um voejar, nesse
Meu ar escuro. Vejo, um andar de montanha russa, e
Vejo, um passar de minha história, nesse espaço de
Descansar, e de sentir. Nesse lugar, antes, do despertar
Matinal pinto, as imagens, que são, para relembrar, as
Minhas aventuras de dormir. Pinto a gaiola, com seu
Homem pássaro, que é, para recordar, que todo o sonho,
É fácil, até o de prender, aquele pássaro, e negar o seu
Voar, nesse espaço, de poder ir, e vir. Sou passageiro
Do real, porem trafego, em todo esse espaço, das coisas
Não naturais. Sou o homem, sem seu ar de gloria. E
Sou aquele sujeito, que pintou a sua história, nas paredes
Do seu quarto, que é, para evocar e refletir. E quem ler,
Não deve acreditar, pois são fatos, desse meu mundo
Transcendental. E quem ver, pode acreditar, pois e’ esse
O meu jeito, de ver e sentir, bem natural. Vejo, aquela
Janela matinal, onde avisto, aquele horizonte, que o sol
Desponta. Vejo, lá no longe, onde ficou, toda aquela prosa.
Vejo olhares incertos, que não sei, se são simpáticos, ou se
São apáticos; isso ninguém me conta. Vejo aquele pássaro
Livre da gaiola, mas com seus voos, não práticos. Vejo, que  
 Sente falta, de seu cárcere. Aquela prisão, era o seu quarto,
De sonos plácidos... A liberdade, às vezes, e’ uma prisão de
Tijolos sólidos...um voo sem rumo, e sem sinal. Tudo vejo, no
Momento escuro dos olhos. As clarezas, dos olhos claros
Dormem, esse sono atemporal, naquele espaço de fluir....

By betonicou

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Eufonia © Copyright

Vou renegar as amarguras, e desfazer-me dessas coisas que me
 Dão dores e calafrios ... De Todos os sorrisos forçados, e reter os  
 Graciosos de meninos. Vou recortar todos os versos lindos, e enfeitar
 Minhas paredes, não de bemóis, mas de sustenidos... levantar meu
Espirito em pura ternura, e da alma fazer um barco, que navegue por
Mares de brandura ... quero refazer meus caminhos, estes que o coração
Teimou em desviar-se, e ondular-se ...vou recolher todas as águas não
Calmas, mas banhar-me, todas as vezes que cada olho necessitasse ...
E tornar   brisas, todos os instantes... antes que qualquer febre me
Queimasse ... verter a calma das fontes tranquilas, e o rumo certo
Que do novo nasce. Ver o certo que não pensamos, pensar o pouco
 De bom que precisasse ... fazer a diferença, mesmo que no pouco que
Bastasse ...quero guardar meus segredos, da saudade ressentida...  
Sorrir e sepultar as dores, numa alegria incontida ...lembrar o que é belo,
E a certeza de celebrar de novo ...rever a parte perdida, no meio do
 Palheiro que é esse povo. E entregar-me todo, aos   meus versos, e soprar
Como brisa em cada rosto. Cantar a canção singela, o tom alegre, que
 Será tanto!  Ao crescer, todo renovo...não renegar minhas estrelas....
Essas, que avistam e avisam o mau caminho. Temperar meu sol com
Brisas e o cuidado de um ninho...  Crescer de novo, todo este brilho; agora
Pequeninho. Não renegar a esperança, a de renascer e crescer a cada dia.  
Colher os Frutos, e as flores da amplitude!  Querer sempre o singelo, e a   
 Harmonia da eufonia.
By betonicou

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

leveza,leveza © Copyright

Quero andar no caminho, e chegar às margens de um rio limpinho. Sempre procurar uma flor para plantar nos meus sertões em desalinho. Quero ouvir uma canção bem singela, e ouvir o gorjeio de tônicas leves de passarinhos.  Ter alma leve, e dançar nos terreiros de ribeirinhos numa vida tão singela, onde desabrocham as flores, e frutos dos espinhos. Voar o voo dos pardais, e viver a vida simples dos calmos moradores dos quintais. Quero esperar para os meus caminhos os sinais ... quero andar sossegado nessas margens, onde encosto meus rios. Deixar para trás a poeira de todos meus Desafios ...quero a música dos habitantes dos nossos matagais. Quero Sentir a emoção dos sons singelos e orquestrais. Quero sentir sempre, e de novo o cheiro do frescor de todas as manhãs! Sabor café, canela, os pingos de orvalho nas hortelãs. Sempre chego sonambulo nesse sonho que verte as águas do meu rio...Sempre entrego-me as cores deste meu mundo real, e as vezes fictício, e eu quero abrir os olhos, e visualizar a beleza aberta das frutas das romãs. Eu queria os pensamentos singelos, e a conversa descomplicada fora do leito dos divãs. E se acaso retornar aos rios caudalosos, e perigosos dos temporais... quero acordar-me por inteiro, com o cheiro de terra molhada, com o perfume doce dos lindos roseirais. Querer o sabor doce das frutas, da leveza das avelãs! Ser singelo, e sereno no olhar de minhas duas estrelas irmãs. by betonicou





By betonicou  ilustraçoes:judith clay

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Alma © Copyright

E a chegada da noite, é o certo da minha história. Sem palavras
Para contar, mas o coração, tem  todo o seu jeito de falar! São as
Tristezas que fizeram o seu cerco, São as alegrias que não
Deixaram um travesseiro, onde eu possa dormir. Meu peito
Todo acelera, e ainda não chegou a hora de partir. Eu sorvi
 veneno , junto  à minha taça de felicidades .... Naquela noite tão
Explosiva, o escuro trouxe minhas saudades. Os fogos não deflagraram
Como estrelas cadentes no céu, e meu corpo , todo em pedra pesava...
E minha alma, toda chorosa lembrava; Cada um tinha seu jeito de
Sentir. Mas esse, e’ o meu jeito de dizer que fui, e nunca ter querido ir.
A minha alma tem saudade, daquela parte que o vento levou, e meu
Coração se apavora com o tempo molhado. E são essas águas mornas
Que meu corpo verteu, e se alagou. E nesse tempo de eterna noite que
Tanto amedronta, eu me assusto! Não tenho as marquises para esconder
A miséria emotiva que tanto sinto. Se há tempo para tudo nessa vida...
Então chegou a minha hora de ir! Porém, o coração nunca quer ter que
Partir. E esse dia de noite, foi que as sombras tentaram esconder, para
 Não sentir e ver ... Que de   minhas cores preferidas, não dava para esquecer.
Numa névoa esconderam os tons verde e azul. E agora de olhos baixos,
 Só vejo o Sul ... E isso tudo amedronta! Pois de forte, apenas a minha casca
 Apavora ...A minha alma tem sede, de colocar o   sereno, e frágil para fora. ...
 Meu coração, se renega, e todo apático, meu corpo se fez. Não há palavras
 Que consolem meu ser, que é o todo sério, e calado da vez... ...E por dentro
 A alma se contorce...  Pois não e ‘essa a essência de perfume , que trago
 Dentro   de mim...e as portas antes fechadas querem-se abrir; todas assim!
E nessa noite escura, que de tanto cego me desfez ... qual e’ o remédio
 De flora? Flores dos celestes jardins ?  Sempre orquídeas, toda vez.
By betonicou

sábado, 9 de janeiro de 2016

transparência © Copyright

Hoje ouvi uma voz me chamando de dentro; sai correndo.
Eu  me refiz e voltei todo sóbrio sorrindo, para o meu centro.
O meu eu trouxe minha lembrança e descobri bem ali  por
dentro a minha esperança . Eu hoje prendi,  toda a minha
saudade, e peguei os brinquedos, de quando eu era criança.
Eram os piões  que rodavam pela força dos fracos e singelos
cordões. Era a ciranda ,que rodopiava, e fazia brotar sorrisos
da força dos meus frágeis tendões . Eu hoje,  me desfiz do meu
desassossego, e descartei os meus segredos na estrada dos
ventos. E venho um brilho de vida para dentro de minhas janelas...
 Meus olhos se abriram para viver os minutos,  bem atentos.
Eu acordei num berço embalado pelas brisas, e procurei um
sonho meio sonolento... E divagava devagar, para não pesar
as asas suaves do meu pensamento. Eu colhi buquê de flores,
para os túmulos  de minhas lembranças. Eu acordei nas águas
doces da minha inocência crua,  dos tempos de infância. Mas
ouvi com saudades as canções solitárias, e  externas do meu
mundo ...E revivi  todo o passado,  alegre ou triste, mesmo que  
por um breve segundo. Eu mergulhei bem profundo, para ver se
achava as águas do nosso lençol. Aquelas águas que irrigavam
cada um, com seu coração dourado de girassol. Porém encontrei  
uma Fonte,  de liquido lacrimal. águas cinzas que refletiam a  lua fria, 
dos nossos quase apagados corpos banhados em formol ... Eu
despertei-me por dentro! Eu acordei bem  nesse triste momento!
Minha criança acenou e me puxou-me de volta, ao meu epicentro...
No meu verdadeiro espaço puxou-me, adentro . Eu hoje busquei
os acenos e os sinais da minha antiga, e esquecida inocência. Eu
hoje busquei os reflexos presos, nos opacos da minha desmerecida,
e refletida transparência ... By betonicou