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curvas, retas e esquinas

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Despedida © Copyright



Ouço tua voz, este teu som rouco e sedutor. Vejo este teu jeito cético de fazer amor. Esta tua boca tem perfume, te beijar era meu costume, mas em teu jardim um pouco árido não pude repousar. Faz da vida o que bem quer, e    outro ama, e faz o pouco que puder. Revirando a mesa traz à tona a tristeza. Faz da minha voz interior uma incerteza. Ouço a canção da despedida, e toda a lucides fora diluída.  Esta paixão é a mais sofrida, porém o amor cura aquela dor tão ressentida, e o desejo tolo se calou.

Vejo o teu corpo andar pela minha rua, e não sinto a essência; talvez, disso esteja nua. Esta tua boca perdeu o perfume de vez, e pode até ser coisa de ciúme, e eu não quero mais gostar. Da tua boca perdi o costume, mas sempre o coração não sabe como se   aquietar.  Fez bater forte para eu dançar de novo. Os teus olhos, e’ o que procuro, para ver se há céu para poder sonhar. Esta ilusão toda vergonhosa, sofrida e desmerecida faz querer retornar para a vida, antes sossegada e tão divertida; bem antes da boca mais linda e sedutora, que o meu beijo jamais beijou.
by betonicou
arte:batik pictures abstraction