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curvas, retas e esquinas

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Samba ,suor e canela © Copyright




La da janela vê chovendo torrentes de pingos d’água. Vejo
A maravilha desencadeada, e quando batem no chão viram flor.
Vejo as pernas da menina enlameadas, e no rosto, um sorriso
Emanando todo frescor. Sua saia desfigurada , toda colorida
Rodopiava, em uma dança de chuva, que a alma toda deságua... Trazia
No corpo, as ondas que tudo sambava. E o tempo todo, tudo à sua
 Volta de alegria pulava.  os pingos formavam as enxurradas, e o
Seu corpo moreno, e suas mechas descabeladas serpenteavam
Todas molhadas. Morena do campo de inocência sem pudor...
Pela janela sinto o vento! Vi correndo a mulata assanhada, e seus
Quadris de sambar rebolavam trazendo ao meu peito, um bater de
Tambor. E a inocência desequilibrada ofegava de tanto que saltitava.
 O meu peito quase morrendo, de tanto que pulsava precisava se conter,
De tanto que ansiava o corpo molhado, e o seu acanelado odor...
De tanto sambar, suas saias abriram-se como cortinas! Deixando
À mostra, todo aquele céu das meninas! Um doce veneno, que agora
Arrepia todo o meu corpo; e tanto alucina... Milhões de orvalhos chamando
Sem parar! De tanto que meus olhos olharam essa maravilha... Vejo a pura
Inocência quase tímida; a brilhar! E da janela vou vivendo aquarelas de visões...
E ela vem toda suada, toda misturada com aquela chuva, trazendo um
Um sambar dos furacões... Saio lá fora e vou correndo, para abraçar a deusa
Molhada, com a saia desfigurada; que coisa linda essas morena! agora
Sem timidez, toda assanhada rodopiava, e me abraçando desarmava
Todos os meus botões...
By betonicou