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curvas, retas e esquinas

sábado, 12 de abril de 2014

Ausência .© Copyright


São tantas falas caladas e são tantos sentimentos enganados. São todos os guetos de favelas, escuras ruelas dos desabrigados. São as cenas deste cenário que avassalam, todo o olhar escondido. São tantas as provações, para todo peito dolorido. É o luar, sem os raios de sono. São as folhas secas que despencam das arvores enferrujadas, de todo invernado outono. Esse vermelho ferrugem que cai, em toda rua cinzenta...ainda assim, a poesia trai-se bordando teias de lembranças que ainda todo peito alimenta. São tantas falas que se calam, perante juras de amor eterno. São tantas juras esquecidas, no mais frio abandono de inverno. Porém, ainda restam as cores vivas, como a forte cor das violetas. Ainda fica o cheiro de flores lindas, em qualquer pomar abandonado de frutas secas. São as cenas singelas que calam as falas fúteis. São tantas as falas sem mazelas, durante os bons dias, sem cenas inúteis. São as flores, cores vivas de aquarela, nos lençóis do amor embrulhado, sem falas e sem rodeios, num amor gostoso, ás vezes acanhado. Não como ruelas de favela apertando em falas intransigentes. Nem são notas sem compasso desarmonizando em risos descontentes. Porem existem, os choros que rezam as agruras, e o absurdo desconforto, de um querer ausente de ternuras. Existe também poesia, nas lembranças frias. Recordações diluídas, nas lagrimas de nostalgias. São os afetos recordados que se misturam, entre os cacos das cenas perdidas, e letras quentes que aquecem, o gelado cenário das prateleiras das salas escondidas…Se tudo e´ para ser esquecido numa gaveta escura... ainda assim pode ser ouvido, mesmo que em notas acanhadas, numa bela peça de partitura. São tantas portas para as senzalas, e para os lugares, onde repousam os medos. E também, são tantas ruas estreladas de lembranças que motivam um surpreso sorriso, pelos lindos e bem guardados amorosos segredos.
By betonicou