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curvas, retas e esquinas

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pobres e órfãos ...© Copyright


O que queres de mim pai ausente? Sofrido me fez
Sem teu afago e  teu colo.  Onde ecoa teu brado,
Lá eu choro...
Sou o teu pranto, teu filho abandonado às margens
de tuas águas vermelhas...
Se o penhor desta igualdade nos torna filhos iguais,
Onde estará o meu lugar em teu seio?
Conquistaram-se, com nosso braço forte a tua liberdade...
Onde estará a nossa parte neste quinhão? Penhorou-se?
Minha vida por ti! Onde receber,  o justo pago devido a mim?
No Ipiranga, a busca pelo plácido se deu, mas suas águas,
Continuam vermelhas pelo teu desdouro...

Ali, tu foste gerado... Mas ali tu morreste, por ter-me
esquecido às tuas margens...
O que fazer, se depois  deixou-me perecer  em teu rio de sangue?
O que queres de mim pátria amada?! Se te adoramos, e
clamamos em brado forte,  onde ainda repousa os nossos sonhos
e a esperança. de um dia poder alcançar o real desejo em ti ?
Do povo, o maior anseio !
Perderam-se os raios brilhantes, e o nosso amanhã sombreou-se? Sempre estará, o nosso céu enegrecido?
E nossas almas?! Quando se alegrarão,  mais uma vez em um belo e
Esplendoroso porvir?!
Onde está,  o pão de letras reservado aos famintos de saber?  A sede
Mescla-se à fome mal saciada, de tua cultura negada...


Árvore da vida que pouco orvalha.... pouco cresce, nos privando
de sua confortável sombra e de teus frutos benditos...
Teus rios do verbo se represaram... E a seca, nos retrai a alma, sem
podermos proferir palavras ditosas a ti.
Pouco,  do teu saber a minha alma sorveu... Qual seria o meu legado,
diante do gigante que tu ES?
Sozinho, ou morto em teu berço esplêndido? Fostes, tragado pelo negro,
ou abandonou-me no leito do teu rio de liberdade?
O que queres? Meu sangue sofrido, há muito é seco de dor... Brada em alto clamor! Não ás margens do teu Ipiranga, mas às margens,
Dos teus protegidos, porque estes, se encontram abastados...
De teu achego, e teus olhos cegos...
Aqui estou  querendo abraçar-te !  Dar  por ti, o sangue e a vida...
O filho varonil e  sem medo, não acolhe e manténs-me em segredo
Em teu grito, de liberdade ou morte! Por que me reservas, o algoz e o medo?
Agora, sem sigilos e vans segredos  diga-me! Meu ser, todo implora! Almejo saber o  Tolo enredo... Sei o que há de vir! Mas mesmo assim,
Ouvir de ti... O que queres de mim?  
         
By betonicou